Nova onda de calor atinge Europa e especialistas ressaltam ligação com mudança climática

Pela segunda vez em menos de um mês, uma intensa e ampla onda de calor atingiu a Europa, com novas temperaturas mínimas e máximas recordes, interrupções nos sistemas de transportes e infraestrutura e pressão sobre a saúde humana e ao meio ambiente. De acordo com Organização Meteorológica Mundial (OMM), esses fenômenos carregam “a assinatura da mudança climática provocada pelo homem”.

Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e Holanda tiveram novas temperaturas nacionais recordes, conforme termômetros ultrapassaram a marca de 40°C no pico da onda de calor em 25 de julho. Na França, Paris registrou seu dia mais quente, com temperatura de 42,6°, um patamar sem precedentes desde o início dos registros.

Homem se refresca em uma fonte durante a onda de calor em 2010 em Londres. Foto: Flickr/Chris JL

Homem se refresca em uma fonte durante a onda de calor em 2010 em Londres. Foto: Flickr/Chris JL

Pela segunda vez em menos de um mês, uma intensa e ampla onda de calor atingiu a Europa, com novas temperaturas mínimas e máximas recordes, interrupções nos sistemas de transportes e infraestrutura e pressão sobre a saúde humana e ao meio ambiente. De acordo com Organização Meteorológica Mundial (OMM), esses fenômenos carregam “a assinatura da mudança climática provocada pelo homem”.

Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e Holanda tiveram novas temperaturas nacionais recordes, conforme termômetros ultrapassaram a marca de 40°C no pico da onda de calor em 25 de julho. Na França, Paris registrou seu dia mais quente, com temperatura de 42,6°, um patamar sem precedentes desde o início dos registros.

Serviços meteorológicos e hidrológicos emitiram alertas de calor, incluindo alertas em nível máximo. Em algumas áreas, serviços também emitiram alertas de incêndio para minimizar riscos à vida e ao meio ambiente.

A onda de calor foi causada por ar quente vindo do Norte da África e da Espanha. De acordo com as previsões, o fluxo atmosférico irá transportar o calor para a Groenlândia, resultando em altas temperaturas e, consequentemente, em aumento dos derretimentos. Isso também afetará o gelo do Ártico, onde a perda da extensão de gelo durante a primeira metade de julho se compara a perdas observadas em 2012, ano de menor extensão do gelo marítimo no mês de setembro, segundo o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo, nos Estados Unidos.

A onda de calor de julho segue outra excepcionalmente intensa ocorrida em junho, que gerou novas temperaturas recordes na Europa e garantiu que o mês fosse o mais quente já registrado no continente. A temperatura média foi de 2°C acima do normal.

Mudança climática e ondas de calor

“Ondas de calor intensas e amplas carregam a assinatura da mudança climática provocada pelo homem. Isso é consistente com descobertas científicas que mostram evidências de eventos de calor mais frequentes e intensos, enquanto concentrações de gases causadores do efeito estufa levam a um aumento das temperaturas globais”, disse Johannes Cullman, diretor do Departamento de Clima e Água da OMM.

“A OMM espera que 2018 esteja dentro dos cinco anos mais quentes já registrados e que 2015-2019 seja o período mais quente de qualquer equivalente já registrado”, disse.

A agência das Nações Unidas apresentará um relatório sobre o clima, englobando o período 2015-2019, na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro. Muitos estudos científicos foram realizados sobre as conexões entre mudança climática e ondas de calor.

“Cada onda de calor que acontece na Europa atualmente é mais provável e mais intensa por conta da mudança climática induzida pelo homem”, segundo estudo publicado por cientistas no projeto internacional Atribuição Meteorológica Mundial, sobre a contribuição humana à onda de calor recorde de junho de 2019 na França.

“As observações mostram um aumento muito grande na temperatura destas ondas de calor. Atualmente, estima-se que um evento do tipo ocorra com um período de retorno de 30 anos, mas ondas de calor similarmente frequentes provavelmente teriam sido cerca de 4°C mais frias há um século”, afirmaram os cientistas no estudo.

“Em outras palavras, uma onda de calor desta intensidade está acontecendo ao menos dez vezes mais frequentemente hoje em dia do que há um século”.

Em seu Quinto Relatório de Avaliação, de 2014, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática afirmou ser “muito provável que a influência humana tenha contribuído às mudanças de escala observadas globalmente, em frequência e intensidade de extremos diários de temperatura”.

“É provável que a influência humana tenha mais que dobrado a probabilidade de casos de ondas de calor em alguns locais”.

Em seu relatório de 2018 sobre aquecimento global, o painel afirmou que os riscos relacionados a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, segurança humana e crescimento econômico devem aumentar com aquecimento global de 1,5°C e ainda mais com avanço de 2°C.

Limitar o aquecimento a 1,5°C poderia resultar em 420 milhões de pessoas a menos expostas a ondas de calor severas, segundo o relatório.