Norte do Iraque terá deslocamento em massa de refugiados, diz ACNUR

Ofensiva militar do governo do Iraque para reconquistar Mossul deve afetar mais de 1,2 milhões de pessoas. Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) procura terrenos para construir acampamentos temporários.

Família que deixou Mossul almoça no campo de Baharka, nos arredores de Erbil, no Iraque. Foto: Cengiz Yar/ACNUR

Família que deixou Mossul almoça no campo de Baharka, nos arredores de Erbil, no Iraque. Foto: Cengiz Yar/ACNUR

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou no início desta semana (23) que a ofensiva militar do governo iraquiano para reconquistar Mossul poderá afetar mais de 1,2 milhão de pessoas, causando deslocamentos em massa na região.

A cidade, localizada no norte do Iraque, é a segunda maior do país e foi tomada por militantes em junho de 2014. Na época, cerca de 2,5 milhões de pessoas moravam no local.

A violência no Iraque forçou 213 mil indivíduos a deixarem suas casas nos últimos meses. Esse número inclui 48 mil pessoas da região de Mossul, 87 mil de Faluja e 78 mil de Shirgat, Qayyara e arredores.

“Em meio aos enormes desafios, o ACNUR está fazendo o possível para construir mais campos para acomodar as pessoas e amenizar o sofrimento. Entretanto, terrenos adicionais para novos acampamentos e mais financiamento ainda são necessários”, afirmou o porta-voz da agência da ONU, Adrian Edwards.

A assistência humanitária oferecida pelo ACNUR inclui tendas, kits de primeiro-socorros e serviços de proteção, como assistência judiciária para as famílias. A Agência pretende estabelecer campos de refugiados em até seis locais no norte do Iraque.

O Iraque já tem uma das piores realidades de deslocamento interno do mundo. Cerca de 3,4 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas desde janeiro de 2014. Entre essas pessoas estão famílias que foram forçadas a se mudar diversas vezes.

Em Debaga, região administrativa de Erbil, dois campos foram concluídos entre julho e agosto para abrigar iraquianos desabrigados que fugiram de aldeias ao leste do Rio Tigre. Devido ao número de novas chegadas diárias, o ACNUR está aguardando que autoridades locais disponibilizem terras para a construção de mais acampamentos. A população de Debaga aumentou dez vezes em poucos meses – em março, o campo abrigava cerca de 3.500 deslocados, agora, abriga mais de 34.000.