No Sudão do Sul, ONU pede acesso humanitário ‘irrestrito’ para evitar mais catástrofes

“As pessoas do Sudão do Sul estão sofrendo além da medida. A fome representa apenas a ponta mais extrema do iceberg das necessidades neste país”, alertou o coordenador humanitário da ONU no país.

Mais de 100 mil pessoas já enfrentam fome nas regiões apontadas pela ONU, e mais de 1 milhão estão à beira da fome. Há também temores de que, no auge da temporada de carência, em julho, cerca de 5,5 milhões de pessoas possam enfrentar uma grave insegurança alimentar em todo o país.

Duas crianças carregam água em Leer, no estado da Unity, Sudão do Sul, uma das regiões sofrendo com a fome severa. Foto: OCHA

Duas crianças carregam água em Leer, no estado da Unity, Sudão do Sul, uma das regiões sofrendo com a fome severa. Foto: OCHA

Com centenas de milhares de pessoas precisando de assistência em áreas atingidas pela fome no Sudão do Sul e a crescente insegurança que dificulta o trabalho de socorro, um representante da ONU no país pediu a todas as partes que assegurem que os trabalhadores humanitários tenham acesso imediato e livre em todo o país.

“As pessoas do Sudão do Sul estão sofrendo além da medida. A fome representa apenas a ponta mais extrema do iceberg das necessidades neste país”, disse Eugene Owusu, coordenador humanitário da ONU no país, em um comunicado divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

No dia 20 de fevereiro, a fome foi formalmente declarada em algumas partes do país. Uma declaração formal significa que as pessoas já começaram a morrer de fome.

“Para evitar uma nova catástrofe, é imperativo que os agentes humanitários sejam capazes de agir com rapidez e robustez”, sublinhou Owusu.

A chamada do funcionário da ONU segue uma série de eventos recentes que têm dificultado operações humanitárias e colocado civis em risco.

Durante os confrontos no estado de Jonglei, citou a ONU, complexos humanitários foram saqueados por pessoas armadas e membros da comunidade; além disso, 28 trabalhadores humanitários foram forçados a se mudar do condado de Mayendit, um dos dois municípios atingidos pela fome no estado de Unity, devido à insegurança.

Aos trabalhadores humanitários também foi negado o acesso na semana passada a locais-chave fora da cidade de Lainya, em Equatoria Central, onde dezenas de milhares de pessoas necessitadas não foram alcançadas com ajuda humanitária em meses.

De acordo com o OCHA, a insegurança e a falta de acesso complicaram uma situação já preocupante: mais de 100 mil pessoas já enfrentam fome nas regiões apontadas pela ONU, e mais de 1 milhão estão à beira da fome. Há também temores de que, no auge da temporada de carência, em julho, cerca de 5,5 milhões de pessoas possam enfrentar uma grave insegurança alimentar em todo o país.

Além disso, desde dezembro de 2013, cerca de 3,4 milhões de pessoas foram deslocadas, incluindo cerca de 1,5 milhão que fugiram como refugiados para países vizinhos.

Neste contexto, organizações humanitárias pediram fundos urgentes para responder à crescente crise, com a solicitação de US$ 1,6 bilhão para fornecer assistência e proteção para salvar vidas, montante que atenderia cerca de 5,8 milhões de pessoas em todo o Sudão do Sul nesse ano.