No Sudão do Sul, 75% das crianças nasceram durante a guerra

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No Sudão do Sul, 2,6 milhões de crianças com até cinco anos de idade só conhecem a realidade da guerra. No país, 19 mil jovens foram recrutados por grupos armados, sofrendo riscos maiores de violência sexual. Estimativas foram divulgadas neste mês (7) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Duas crianças-soldado foram liberadas do serviço junto a grupos armados no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

Duas crianças-soldado foram liberadas do serviço junto a grupos armados no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Sebastian Rich

No Sudão do Sul, 2,6 milhões de crianças com até cinco anos de idade só conhecem a realidade da guerra. O número representa 75% de todos os meninos e meninas nessa faixa etária e nascidos desde que o país africano conseguiu sua independência, em 2011. A estimativa foi divulgada neste mês (7) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O território sul-sudanês é palco de um sangrento conflito civil desde 2013. A agência da ONU alerta que menores têm sido amplamente recrutados para lutar em grupos armados. Embora 800 crianças-soldado tenham sido libertadas dessas entidades, outras 19 mil continuam a servir como combatentes, carregadores e mensageiros, além de sofrer abusos sexuais. Mais de 500 casos de assédio já foram identificados pelo UNICEF.

Em 2014, 35% dos sul-sudaneses não sabiam de onde vinha a sua próxima refeição. Atualmente, o índice é estimado em 60%, com algumas áreas a apenas um passo da fome, especialmente durante a época de escassez. As taxas de subnutrição estão em níveis críticos, com mais de 1 milhão de crianças desnutridas, incluindo 300 mil à beira da morte.

Um em cada três escolas estão destruídas, ocupadas ou fechadas desde 2013. Como isso, cerca de 2 milhões de crianças estão sem educação — é a maior proporção de jovens fora da escola de todo o planeta.

Ajuda humanitária e refúgio

Ainda segundo o UNICEF, mais de cem trabalhadores humanitários já foram mortos em meio aos confrontos, incluindo um motorista da agência na semana passada. Desde o início da guerra em 2013, mais de 2,5 milhões de pessoas, entre elas, mais de 1 milhão de crianças, procuraram segurança em países vizinhos.

A chefe do fundo da ONU, Henrietta Fore, afirmou que “as partes em guerra podem e devem fazer mais para trazer de volta a paz, porque as crianças do Sudão do Sul merecem mais”.

Em junho, os dois principais grupos em confronto assinaram um cessar-fogo permanente, um desdobramento visto como positivo pelo UNICEF.

Fore acrescentou que “agora contamos com a liderança e os comandantes para respeitá-lo e, ao mesmo tempo, garantir que os trabalhadores humanitários recebam acesso sem restrições aos necessitados”.


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