No Rio, refugiadas recebem orientações sobre como prevenir câncer de mama e DSTs

Uma roda de conversa especial reuniu na terça-feira (31) 25 mulheres de diferentes países na sede do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas do Rio de Janeiro. No marco da campanha mundial Outubro Rosa, que aborda os cuidados de prevenção do câncer de mama, profissionais da rede municipal de saúde do Rio estiveram na organização, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), para falar sobre a doença com refugiadas e solicitantes de refúgio.

Mulheres refugiadas e solicitantes de refúgio recebem orientações para prevenir o câncer de mama e participam de discussões sobre outros cuidados para sua saúde sexual e reprodutiva. Foto: ACNUR/Diogo Felix

Mulheres refugiadas e solicitantes de refúgio recebem orientações para prevenir o câncer de mama e participam de discussões sobre outros cuidados para sua saúde sexual e reprodutiva. Foto: ACNUR/Diogo Felix

Uma roda de conversa especial reuniu na terça-feira (31) 25 mulheres de diferentes países na sede do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas do Rio de Janeiro. No marco da campanha mundial Outubro Rosa, que aborda os cuidados de prevenção do câncer de mama, profissionais da rede municipal de saúde do Rio estiveram na organização, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), para falar sobre a doença com refugiadas e solicitantes de refúgio.

Durante o encontro, a equipe ressaltou a importância do autoexame para a detecção precoce do câncer de mama. Essa medida aumenta as chances de tratamento e cura da patologia. Médicos também explicaram como é possível realizar mamografias e outros exames no sistema público de saúde. Conversas incluíram ainda outros temas, como a prevenção do câncer de colo do útero e de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

“No Outubro Rosa, nós falamos mais da prevenção do câncer de mama, com autoexame e exame preventivo ginecológico, mas nunca focamos apenas nisso”, explicou Cecília Rodrigues, médica da Clínica da Família Hélio Pellegrino. “Nossa conversa abrange o autocuidado da mulher, a importância de se tocar e o empoderamento feminino.”

A congolesa Pascaline Kilolo, que vive no Rio de Janeiro há um ano e meio e estava com o filho de seis meses no colo, quis saber se podia fazer o autoexame durante o período de amamentação. Sua preocupação com o câncer de mama se deve ao histórico de casos da patologia em sua família.

“Minha mãe teve um problema nos seios e, por falta de informação, ficou em casa. Por isso, para mim é importante saber como posso evitar essa doença e o que devo fazer caso ela apareça. Nunca tive o hábito de apalpar os seios para ver se há alguma anomalia, mas agora vou começar a fazer esse exame”, afirmou a solicitante de refúgio.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum da doença entre as mulheres no Brasil e no mundo — com exceção dos tumores de pele não melanoma. O câncer de mama representa cerca de 28% dos casos novos de câncer a cada ano. Segundo estimativas da instituição, o número de novos diagnósticos no Brasil deve chegar a 57,9 mil no biênio 2016-2017.

A roda de conversa reuniu mulheres de Angola, Costa do Marfim, Cuba, República Democrática do Congo e Venezuela. O encontro foi uma oportunidade para as mulheres trocarem informações sobre seus hábitos de saúde. Para a coordenadora de Integração Local da Cáritas RJ, Debora Alves, encontros como esse na sede da organização são importantes justamente por levarem em conta as particularidades culturais das participantes.

“A orientação é feita a partir do entendimento de que essas pessoas vêm de culturas diferentes e podem ter cuidados diferentes. Além disso, embora elas frequentem a rede pública, é importante aproveitarmos esse marco para ter um olhar diferenciado para o cuidado de saúde da mulher”, disse a assistente social.

Números do Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas RJ apontam que 28,1% dos refugiados que vivem no estado do Rio de Janeiro são do sexo feminino. Dados de 2017, no entanto, revelam que as mulheres representaram 51% das chegadas entre janeiro e setembro deste ano, o que tem levado a instituição a pensar cada vez mais em atividades específicas para essa população.

O Outubro Rosa é um movimento internacional criado na década de 1990 com o objetivo de conscientizar a população, sobretudo as mulheres, sobre o câncer de mama. A iniciativa visa compartilhar informações e ampliar o acesso a serviços de exames e tratamentos para a doença.

Segundo o INCA, cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como: praticar atividade física regularmente; alimentar-se de forma saudável; manter o peso corporal adequado; evitar o consumo de bebidas alcoólicas; e amamentar.