No Rio, empresas e ONU debatem igualdade de gênero no setor privado

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

No início de julho (3), a primeira edição do Fórum sobre os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) no Rio de Janeiro reuniu cerca de 150 gestores, especialistas e representantes de companhias e das Nações Unidas para debater a promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho. Presença feminina na chefia de corporações foi um dos destaques das discussões. Encontro foi promovido pela ONU Mulheres e pela Rede Brasil do Pacto Global.

Fórum sobre os Princípios de Empoderamento das Mulheres foi promovido, no Rio de Janeiro, pela ONU Mulheres e Pacto Global com apoio da White Martins. Foto: Erik Barros Pinto

Fórum sobre os Princípios de Empoderamento das Mulheres foi promovido, no Rio de Janeiro, pela ONU Mulheres e Pacto Global com apoio da White Martins. Foto: Erik Barros Pinto

No início de julho (3), a primeira edição do Fórum sobre os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) no Rio de Janeiro reuniu cerca de 150 gestores, especialistas e representantes de companhias e das Nações Unidas para debater a promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho. Presença feminina na chefia de corporações foi um dos destaques das discussões. Encontro foi promovido pela ONU Mulheres e pela Rede Brasil do Pacto Global.

“Há pesquisas indicando que, quando há participação das mulheres na diretoria de uma empresa, ela se torna mais lucrativa. Porém, no ritmo atual, ainda vamos demorar um século para atingir o equilíbrio em lideranças”, disse a assessora de direitos humanos e anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global, Vanessa Tarantini.

Os WEPs são uma iniciativa desenvolvida pelo Pacto Global em parceria com a ONU Mulheres para mobilizar o setor privado em prol do empoderamento de funcionárias. O evento na capital fluminense foi o primeiro do tipo em solo carioca. Iniciativa foi realizada com apoio e patrocínio da White Martins.

O baixo número de mulheres na liderança também foi identificado por Denise Hills, superintendente de sustentabilidade e negócios inclusivos do Itaú Unibanco. “Temos a ambição de ser uma empresa 50%-50%, com equilíbrio entre mulheres e homens. Há uma forte presença das mulheres nas agências bancárias, mas, à medida que subimos na hierarquia, a participação diminui”, afirmou. “Às vezes, quem está com privilégios não tem consciência, então ajude a fazer perceber.”

Adriana Carvalho, gerente de Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres, lembrou que a pauta é muito importante para o organismo internacional. “Há metas para a igualdade de gênero transversalizadas em 12 dos 17 os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O trabalho em rede, e o envolvimento do setor privado, é fundamental para alcançá-las”, defendeu.

A especialista das Nações Unidas também apresentou aos participantes do evento o Guia de Enfrentamento ao Racismo Institucional, desenvolvido pela ONU Mulheres em conjunto com a ONG Geledés. A versão on-line da publicação está disponível em racismoinstitucional.geledes.org.br.

Outra participante do encontro, a diretora jurídica da Assurant Brasil, Ana Paula de Almeida Santos, chamou atenção para o papel que a articulação interna tem na melhoria do ambiente de trabalho. “Eu era a única mulher na diretoria da empresa, e nunca tive um tratamento diferenciado. O ambiente era amigável, mas não havia justiça em ser a única ali”, explicou.

Após integrar um fórum de liderança feminina em Harvard, Ana Paula desenvolveu uma rede de conexão e troca de informação entre as funcionárias da empresa, o que colaborou para que mais mulheres conquistassem cargos de liderança. No fim de 2016, a empresa se tornou 50%-50%.

Também presente, Anna Paula Rezende, diretora de Talentos e Sustentabilidade da White Martins, ressaltou que as empresas devem se questionar. “E atuar de forma assertiva. Se alinhem a instrumentos da ONU, como os WEPs, e a outros mecanismos. Promovam ações de inclusão não só de gênero, mas de etnias e LGBTs”, disse, informando que os processos seletivos na companhia sempre buscam equilíbrio no número de candidatas e candidatos e que há vagas de estágio exclusivas para afrodescendentes.

Carine Roos, da UPTWI, alertou para a carência de mulheres nos mercados de tecnologia e programação. “Quase 80% desistem no primeiro ano de faculdade. Das mulheres que chegam ao mercado, há duas vezes mais chances de desistir da área. Se forem negras, são quatro vezes mais”, enumerou. A organização promove workshops com empresas da área, dando apoio às mulheres que trabalham com tecnologia da informação.

Equidade entre concorrentes em uma seleção também é realidade na Enel, como informou Marcia Massoti, diretora de Sustentabilidade da corporação. “E olha que somos tradicionalmente uma empresa de homens brancos engenheiros. A grande mudança foi engajar os diretores, apoiada pela chegada de um novo CEO que tem uma visão inclusiva”, contou. “O setor de energia é o que menos inovou, e o que mais precisa inovar nos próximos cinco anos. Como queremos fazer diferente com as mesmas pessoas, com o mesmo perfil? Diversidade é fundamental para a inovação.”

Camila Nakagawa, diretora de Comunicação da BETC/Havas, detalhou o quanto mulheres são interrompidas, o que levou a empresa a desenvolver o app “Woman Interrupted”, que mede os cortes. Conheça o software clicando aqui.

Nova parceria

Os mais de 150 presentes, muitos representando as mais de cem empresas signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres no Brasil, viram a lista de corporações compromissadas ganhar mais um nome: a agência de comunicação In Press Porter Novelli.

“Já temos uma parceria de longa data com a ONU Mulheres, e fico honrada de assumir formalmente o compromisso. O mercado de comunicação tem uma forte presença de mulheres – na In Press são 79% de colaboradoras – mas ainda há barreiras, em especial nos cargos de liderança”, detalhou Kiki Moretti, CEO do Grupo In Press. “A boa notícia é que há uma demanda crescente também dos clientes por mais equidade.”

Tratamento igualitário

Além de processos de seleção que visam à paridade, o Fórum WEPs também abordou os motivos que levam funcionárias a pedir demissão e deixar seus postos de trabalho. Discussão contou com a apresentação de uma pesquisa divulgada por Rodrigo Vianna, sócio da agência de recrutamento Talenses.

“Acredito que o papel de uma consultoria de recrutamento é influenciar a sociedade em direção da equidade. Por isso, promovemos a pesquisa. Muitos CEOs acreditam que a motivação principal é remuneração, ou outras oportunidades. Mas a pesquisa mostra que esta é a última razão. As principais são equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, qualidade de vida e conexão e envolvimento com a liderança”, relatou Vianna.

“Nas entrevistas, fica claro como atitudes simples, como conversar com as colaboradoras ou incluí-las em atividades com os demais diretores, fazem a diferença. Enfim, oferecer um tratamento igualitário”, acrescentou.


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