No Rio, agência da ONU pede fim do estigma para combater a hanseníase

No Rio de Janeiro (RJ), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) — afirmou nesta semana (12) que o estigma associado à hanseníase tem dificultado os esforços para acabar com a transmissão da doença.

Atualmente, mais de 200 mil novos casos de hanseníase são detectados no mundo a cada ano. Dessas ocorrências da doença, 80% são registradas em três países – Brasil, Índia e Indonésia.

Agentes de saúde fazem visita para prevenção e diagnóstico de hanseníase no Brasil. Foto: OPAS

Agentes de saúde fazem visita para prevenção e diagnóstico de hanseníase no Brasil. Foto: OPAS

No Rio de Janeiro (RJ), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) — afirmou nesta semana (12) que o estigma associado à hanseníase tem dificultado os esforços para acabar com a transmissão da doença. Agência da ONU participa do I Encontro Latino-americano e Caribenho de Entidades de Pessoas atingidas pela Hanseníase, que se encerra nesta quinta-feira (14) na capital fluminense.

“Enfrentar as barreiras sociais para reduzir a transmissão e acabar com o estigma e a discriminação contra as pessoas afetadas pela hanseníase é responsabilidade de todos”, defendeu a assessora regional em Doenças Negligenciadas da OPAS, Isabelle Roger, que considerou como “histórica” a reunião no Rio.

Atualmente, mais de 200 mil novos casos de hanseníase são detectados no mundo a cada ano. Dessas ocorrências da doença, 80% são registradas em três países – Brasil, Índia e Indonésia. A patologia foi eliminada como problema de saúde pública em 23 países das Américas — isso significa que, nessas nações, há menos de um caso de hanseníase em cada 10 mil habitantes registrados para tratamento.

Em 2017, 29.101 novos episódios de hanseníase foram registrados no continente americano — mais de 93% deles no Brasil.

O evento no Rio de Janeiro reúne membros de diversas instituições nacionais e internacionais, além da sociedade civil organizada de países da América Latina – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, México, Paraguai e Peru. Outros participantes incluem integrantes de instituições dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, que estão presentes como observadores.

A relatora especial da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Pessoas Atingidas pela Hanseníase e seus Familiares, Alice Cruz, também veio ao encontro, bem como representantes do Ministério da Saúde do Brasil, da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

A OPAS tem se empenhado para, junto com diversos parceiros, apoiar ações pelo fim da doença. O trabalho é feito com base na Estratégia Global para Hanseníase, que descreve três pilares gerais para garantir um mundo sem a enfermidade, com zero transmissão, zero incapacidade e zero estigma. Esses eixos buscam fortalecer a responsabilidade, coordenação e parcerias dos governos; deter a hanseníase e suas complicações; e acabar com a discriminação e promover a inclusão.

O plano global também exige uma série de medidas para combater o preconceito vivido pelas pessoas afetadas pela hanseníase. As orientações recomendam assegurar que os indivíduos com a doença, assim como suas comunidades, sejam empoderadas a participar ativamente dos serviços de atenção. A estratégia pede ainda que aqueles que possuem a patologia tenham melhor acesso aos serviços de apoio social e financeiro.

O marco solicita ainda que seja promovida a reabilitação baseada na comunidade para pessoas com incapacidades relacionadas à hanseníase. Outra exigência é de que leis discriminatórias sejam abolidas e políticas sejam implementadas para facilitar a inclusão.

A hanseníase é uma doença crônica e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que se multiplica lentamente, levando a sintomas que podem demorar até 20 anos para aparecer. Ela afeta principalmente os nervos periféricos e está associada a lesões cutâneas características. Sem tratamento, pode causar danos aos nervos, demonstrados por fraqueza nas mãos e pés e pela presença de deformidade visível. Embora a doença seja completamente curável, com uma terapia que é gratuita, a demora em iniciar o tratamento pode levar à incapacidade permanente.