No Paraná, adolescentes fortalecem autoestima em oficinas promovidas pelo UNFPA

Uma série de oficinas com foco na construção de conhecimento sobre sexualidade e afetividade tem possibilitado que cerca de 70 jovens e adolescentes no Oeste do Paraná tenham a oportunidade de debater assuntos considerados tabus.

A iniciativa é promovida pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) como ação complementar à parceria com a Itaipu Binacional, no projeto Prevenção e Redução da Gravidez não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná.

Os encontros são realizados com adolescentes e jovens de 15 a 21 anos do Programa ViraVida. Foto: UNFPA

Os encontros são realizados com adolescentes e jovens de 15 a 21 anos do Programa ViraVida. Foto: UNFPA

Uma série de oficinas com foco na construção de conhecimento sobre sexualidade e afetividade tem possibilitado que cerca de 70 jovens e adolescentes no Oeste do Paraná tenham a oportunidade de debater assuntos considerados tabus.

A iniciativa é promovida pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) como ação complementar à parceria com a Itaipu Binacional, no projeto Prevenção e Redução da Gravidez não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná.

Os encontros são realizados com adolescentes e jovens de 15 a 21 anos do Programa ViraVida do SESI Paraná, envolvendo os municípios de Foz do Iguaçu e de Santa Terezinha de Itaipu.

Nas oficinas, é criado um espaço para que esse público acesse informações sobre saúde sexual e reprodutiva e possa trabalhar questões como a autorreflexão na área da sexualidade — temas que normalmente não são abordados em outros espaços, como no ambiente familiar e educacional.

“Muitos dos e das adolescentes que participam das oficinas estão em contextos de vulnerabilização, incluindo situações de violências e negligência. No convívio, percebemos que os comportamentos de risco no exercício das sexualidades são comuns”, afirma a assessora técnica do UNFPA Georgia Silva, que tem ministrado as oficinas. “Nos encontros, buscamos fortalecer a autoestima e comportamentos que permitam encontros sociais saudáveis, livres e responsáveis”, completa.

Entre os temas abordados estão conhecimento do corpo, métodos contraceptivos, gravidez na adolescência, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV e Aids, discriminação e preconceito, homofobia e diversidade sexual.

A ideia é complementar o diálogo sobre a relação de gênero, ampliar a produção de afetos, violência e desconstrução de padrões de masculinidade e feminilidade. No total, as oficinas compreendem 14 encontros e vão até o final de 2019.

As aulas são focadas em atividades participativas e colaborativas, com roda de conversas, cultura, dança, cinema, jogos, debates e dinâmicas interativas criadas pela assessora técnica do UNFPA para despertar o interesse do público adolescente.

Novas oportunidades

Oscar, de 15 anos, participa das oficinas e ressalta a importância de debater e de ter conhecimento sobre o próprio corpo. “Me sinto muito bem aqui, ainda mais pelo fato de aprender mais sobre meu corpo e o da minha companheira. Você aprende um pouco mais sobre si mesmo e consegue ensinar outras pessoas algumas coisas importantes”, diz.

Evelin, de 16 anos, também destaca que tem aprendido com as novas informações. “Estou achando importante. Vejo na aula que têm muitos alunos que não conheceram essas informações e não têm acesso. Muita gente tem curiosidade, eu também tenho muitas dúvidas, pois ainda sou nova, mas vou ter uma vida pela frente. Vou ser adulta e vou precisar saber disso tudo”, relata.

De acordo com a adolescente, os encontros são importantes para ampliar os conhecimentos sobre assuntos considerados tabus. “Tiramos dúvidas sobre situações que vamos passar, como por exemplo, a gravidez, que é o mais recorrente, infecções, e em casos de abuso também. É muito importante conversar sobre isso nas aulas com a professora”, diz.

Evelin ressalta a importância de trocar informações com pessoas da mesma faixa etária. “Em outros lugares, vejo que não tem muito uma conversa sobre isso. Na escola também é raro e, quando tem, é uma palestra ou alguma discussão mais aberta. É sempre alguma coisa como ‘usem camisinha e não transem ou não façam isso ou aquilo’.”

Sobre o programa ViraVida

O ViraVida foi criado em 2008 pelo Conselho Nacional do SESI. Implantado pelo SESI Paraná desde 2010 em parceria com o Sistema S com a meta de garantir acesso à educação, à profissionalização e à dignidade por meio de um processo socioeducativo para jovens de 15 a 21 anos em situação de vulnerabilidade social.

O programa realiza acompanhamento interdisciplinar. Nesse período, o foco é o resgate da autoestima, avanço na escolaridade, desenvolvimento de competências, preparando assim ao mundo do trabalho de forma dinâmica e criativa, fortalecendo capacidades que contribuam, na atualidade e no futuro, com o crescimento sustentável do lugar onde moram. O programa trabalha alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Prevenção e redução da gravidez não intencional na adolescência

O projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, assinado em 2018 entre UNFPA e Itaipu Binacional, vem sendo desenvolvido com o objetivo de fortalecer as capacidades sócio institucionais nos municípios participantes.

Com os investimentos adequados, milhares de adolescentes e jovens no Oeste do Paraná têm a oportunidade de planejar o futuro, fortalecer habilidades e projetos de vida para uma transição segura e saudável para a vida adulta, contribuindo para suas famílias e comunidades onde vivem.