Em dia mundial, ONU defende empoderamento das 1,1 bilhão de meninas do mundo

No Dia Internacional das Meninas, oficiais das Nações Unidas defenderam o bem-estar, a garantia dos direitos humanos e o empoderamento das 1,1 bilhão de meninas do mundo, especialmente as mais marginalizadas. Este ano, a ONU enfatizou a importância dos dados para visualizar e tornar acessíveis as vidas de cada menina, nos vários contextos, rumo ao desenvolvimento sustentável.

Investir nas meninas tem efeito em cadeia em todas as áreas do desenvolvimento, atingindo inclusive as gerações futuras, disse Ban. Foto: EBC

Investir nas meninas tem efeito em cadeia em todas as áreas do desenvolvimento, atingindo inclusive as gerações futuras, disse Ban. Foto: EBC

No Dia Internacional das Meninas, oficiais das Nações Unidas defenderam o bem-estar, a garantia dos direitos humanos e o empoderamento das 1,1 bilhão de meninas do mundo, especialmente as mais marginalizadas. Este ano, a ONU enfatizou a importância dos dados para visualizar e tornar acessíveis as vidas de cada menina, nos vários contextos, rumo ao desenvolvimento sustentável.

Em mensagem para a ocasião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que os Estados-membros, quando concordaram com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável no ano passado, prometeram educação de qualidade e serviços de saúde para as meninas. Segundo ele, o tema deste ano para a data é baseado nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: “o progresso das meninas é igual ao progresso dos objetivos globais — o que conta para elas”.

“Nos comprometemos em acabar com a discriminação e a violência contra meninas, e práticas prejudiciais como o casamento infantil. Houve o compromisso de não deixar ninguém para trás”, disse Ban. “Frequentemente, em aldeias, favelas e campos de refugiados no mundo todo, as meninas são deixadas para trás: sem comida, serviços de saúde ou educação de qualidade, e sob risco de sofrerem violência sexual”, completou.

Na opinião do secretário-geral, investir nas meninas é tanto “a coisa certa como a mais inteligente a ser feita”, uma vez que esse investimento tem efeito em cadeia em todas as áreas do desenvolvimento, atingindo inclusive as gerações futuras.

“Mas o que não é medido não pode ser administrado. Se não reunirmos os dados necessários, nunca saberemos se estamos cumprindo nossas promessas”, ressalvou. “Precisamos garantir que nossas iniciativas estejam atingindo todas as meninas: meninas na extrema pobreza; meninas em áreas rurais isoladas; meninas com deficiência; meninas em comunidades indígenas; meninas que são refugiadas ou deslocadas em seus próprios países”.

“Vamos trabalhar duro para garantir que contemos todas as meninas, porque todas as meninas contam”, concluiu o secretário-geral em sua mensagem.

Dados que contam

Para o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, o tema deste ano reconhece que a importância dos dados para visualizar e tornar acessíveis as vidas de cada menina, nos vários contextos, para o progresso sustentado.

“Com acesso a este tipo de dados e informações, formuladores de políticas, comunidades, organizações da sociedade civil, grupos liderados por jovens, ativistas e as próprias meninas podem moldar as políticas e iniciativas que afetam positivamente as vidas de milhões de meninas em todo o mundo”, declarou, em comunicado.

Segundo ele, investir em meninas adolescentes permite que elas permaneçam na escola, ganhem habilidades, casem mais tarde e recebam uma renda maior para investir novamente em suas famílias e comunidades.

“Estes investimentos devem ser orientados e informados por dados de alta qualidade para o máximo impacto e resultados, e para monitorar o progresso”, disse Osotimehin. “Isto é particularmente importante para identificar e abordar as necessidades das meninas mais marginalizadas — aquelas sobre as quais, muitas vezes, sabemos o mínimo”.

Segundo ele, menos de 50 países fornecem dados desagregados por sexo e idade, enquanto existem enormes lacunas de informações em muitas áreas, incluindo pobreza, violência entre parceiros íntimos e mortes de adolescentes por complicações na gravidez e no parto, especialmente na faixa etária de 10 a 14 anos de idade.

Como resultado, os desafios que muitas meninas enfrentam permanecem sem solução, e este segmento importante da sociedade é repetidamente impossibilitado de realizar seu pleno potencial, disse o chefe do UNFPA.

“Cada menina tem o direito a uma transição segura e bem-sucedida para a idade adulta, e o direito de abraçar as oportunidades futuras reservadas a cada uma”, disse o chefe do UNFPA. “Agora é hora de explorar plenamente o poder dos dados como uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento e para a proteção e promoção dos direitos das adolescentes”.

Empoderamento das meninas pelo esporte

No Brasil, uma das principais frentes de atuação das Nações Unidas e parceiros no empoderamento de meninas é o projeto “Uma Vitória Leva à Outra”, realizado no Rio de Janeiro.

O programa da ONU Mulheres e do Comitê Olímpico Internacional, em parceria com ‘Women Win’ e o Comitê Olímpico do Brasil, tem apoio da Loteria Sueca e da marca Always.

Veja abaixo vídeo sobre a iniciativa:

ONU Mulheres alerta para invisibilidade de meninas adolescentes

Em sua mensagem para a data, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo Ngcuka, destacou que sem progresso para as meninas, não pode haver qualquer avanço real em relação aos compromissos globais com a justiça e a prosperidade.

“Com sua visão de deixar ninguém para trás, a Agenda 2030 sobre o Desenvolvimento Sustentável tem a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas em seu coração”, lembrou.

“Para navegar entre a longa lista de ações urgentes para aqueles que ficaram mais para trás, precisamos saber exatamente seus desafios e suas vulnerabilidades. As meninas são os nossos agentes de mudança, por vezes escondidas do presente e do futuro. Precisamos saber sobre elas e ouvir suas vozes”, acrescentou.

Phumzile lembrou que, para isso, são necessários dados precisos, confiáveis, transparentes e comparáveis de gênero.

“Meninas adolescentes podem compartilhar muitos dos mesmos riscos para a sua saúde e seus direitos que as crianças ou mulheres, mas os desafios que elas enfrentam são às vezes mais agudos, em parte porque não são visíveis”, argumentou a diretora-executiva da ONU Mulheres.

Como exemplo, citou a falta de registro civil e dados de estatísticas vitais adequadas em países em desenvolvimento, que segundo Phumzile significa que “sabemos muito pouco sobre o número de meninas adolescentes que dão à luz por ano”.