No Dia Mundial da Diabetes, ONU lidera iniciativa de oferta de insulina mais acessível

Hoje (14) é lembrado anualmente como o Dia Mundial da Diabetes. Na véspera da data (13), a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou um plano piloto para diversificar a produção global de insulina, medicamente utilizado no controle da doença, e, por consequência, diminuir os preços.

Atualmente, três fabricantes controlam a maior parte do mercado global de insulina, que foi descoberto como um tratamento para o diabetes em 1921. Segundo as Nações Unidas, é essencial democratizar o acesso ao medicamento, já que, em todo o mundo, o número de pessoas com a doença quadruplicou desde 1980 – são 420 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente vivendo em países de baixa e média renda.

Segundo a OMS, esse aumento excessivo de casos é atribuído à má alimentação e à falta de exercício. A organização da ONU explicita que dos 65 milhões de pessoas com diabetes tipo 2 que precisam de insulina, apenas metade tem possibilidade de obtê-la.

Profissional de saúde verifica os níveis de açúcar no sangue de um paciente diabético. Foto: OMS | A.Loke.

Profissional de saúde verifica os níveis de açúcar no sangue de um paciente diabético. Foto: OMS | A.Loke.

Ontem (13), na véspera do Dia Mundial do Diabetes, celebrado pelas Nações Unidas anualmente em 14 de outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um plano para diversificar a produção global de insulina.

Em mensagem oficial para o dia mundial, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou as altas despesas médicas dos pacientes diabéticos como “catastróficas”.

O secretário disse que “o diabetes prejudica a saúde e as aspirações educacionais e de emprego para muitos, afetando comunidades e forçando famílias a dificuldades econômicas”, pontuou.

Insulina excessivamente cara pode ser coisa do passado

O projeto piloto para os próximos dois anos da Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentado na última quarta-feira (13), envolve a avaliação da insulina desenvolvida pelos fabricantes para garantir sua qualidade, segurança, eficácia e acessibilidade.

Anunciando a iniciativa em Genebra, a agência das Nações Unidas informou que já havia sido contatada informalmente por empresas farmacêuticas interessadas em produzir insulina e que avalia se é seguro para as pessoas usarem. Essa é uma notícia que pode mudar a vida de milhões de diabéticos

“O fato simples é que a prevalência de diabetes está crescendo, a quantidade de insulina disponível para tratá-la é muito baixa e os preços são muito altos, por isso precisamos fazer alguma coisa”, disse Emer Cooke, diretora de Regulamentação de Medicamentos e outras Tecnologias da Saúde da OMS.

Atendimento diabético em expansão

Segundo a OMS, caso haja interesse suficiente dos fabricantes e, crucialmente, mais insulina disponível para diabéticos, o projeto pode ser expandido mais amplamente.

“Vamos olhar para o número de empresas que irão se candidatar, veremos quanto tempo leva, os resultados, e se isso faz sentido e se realmente está aumentando o acesso”, comentou Cooke.

Esse procedimento é conhecido como pré-qualificação, e a OMS o fez no passado para vacinas sem marca, incluindo as que são usadas no tratamento da tuberculose, da malária e do HIV.

Isso resultou em economias maciças para os pacientes em todo o mundo, com 80% dos pacientes com HIV agora confiando em produtos genéricos, informou a diretora da OMS.

Ela também observou que algumas empresas já se comprometeram a baixar os preços da insulina.

Medicamentos para o HIV abriram caminhos

“Quando os anti-retrovirais (HIV) foram produzidos, o custo por paciente por ano era de 10.000 dólares”, afirmou Emer Cooke.

“Quando abrimos a pré-qualificação para produtos genéricos de HIV, o preço caiu para 300 dólares por ano.”

Ainda comentando sobre os benefícios à população possibilitados por uma expansão da oferta, a diretora de Regulamentação de Medicamentos da OMS acrescentou: “Também estamos confiantes de que a concorrência reduzirá os preços. Dessa forma, os países terão uma escolha maior de produtos mais acessíveis”.

Mercado global de insulina

No Dia Mundial da Diabetes, ONU lidera iniciativa de oferta de insulina mais acessível. Foto: OMS.

No Dia Mundial da Diabetes, ONU lidera iniciativa de oferta de insulina mais acessível. Foto: OMS.

Hoje, três fabricantes controlam a maior parte do mercado global de insulina, que foi descoberto como um tratamento para o diabetes em 1921.

O medicamento funciona diminuindo os níveis de glicose no sangue, uma tarefa geralmente realizada pela insulina natural, produzida pelo pâncreas sempre que comemos.

A quadruplicação no número de pessoas com a doença desde 1980 – hoje, são cerca de 420 milhões de pessoas no mundo, principalmente em países de baixa e média renda – é amplamente atribuída à má alimentação e à falta de exercício.

Segundo a OMS, aqueles com diabetes tipo 1 – cerca de 20 milhões de pessoas – precisam de injeções de insulina para sobreviver, enquanto que, dos 65 milhões de pessoas com diabetes tipo 2 que precisam de insulina, apenas metade tem possibilidade de obtê-la.

Racionamento forçado

Em alguns países, os preços são tão altos que algumas pessoas são forçadas a racionar sua insulina. Isso os deixa suscetíveis a ataques cardíacos, derrames, insuficiência renal, cegueira e amputações de membros inferiores.

“Embora o diabetes tenha sido a sétima causa de morte em todo o mundo em 2016, a descoberta é preocupante, pois a doença mata as pessoas prematuramente”, ressalta Gojka Roglic, médica executiva da OMS e especialista em diabetes.

“Todos nós temos que morrer de alguma coisa e por que não de diabetes – mas (somente) depois de comemorar nosso aniversário de 90 anos”, brincou Roglic.

“O problema é que, em grande proporção, a diabetes se inicia em idade prematura – quase metade dos casos ocorre antes dos 70 anos”, apontou. Roglic acrescenta que, nos países de baixa e média renda, a porcentagem sobe para cerca de 60%.

Dados coletados pela OMS de 24 países em quatro continentes mostraram que a insulina humana estava disponível apenas em 61% das unidades de saúde.

Os dados de 2016-2019 também mostraram que um mês de fornecimento de insulina custa a um trabalhador em Acra, capital do Gana, mais de um quinto de seu salário.

Os tipos de diabetes

OMS destaca que algumas empresas já se comprometeram em baixar os preços da insulina. Foto: OPAS/OMS | Sebastián Oliel.

OMS destaca que algumas empresas já se comprometeram em baixar os preços da insulina. Foto: OPAS/OMS | Sebastián Oliel.

O diabetes é uma doença metabólica crônica caracterizada por níveis elevados de glicose (ou de açúcar) no sangue, que acarretam ao longo do tempo danos graves ao coração, vasos sanguíneos, olhos, rins e nervos.

O mais comum é o diabetes tipo 2, geralmente atingindo adultos, que ocorre quando o corpo se torna resistente à insulina ou não a produz suficientemente. Nas últimas três décadas, a prevalência do diabetes tipo 2 aumentou dramaticamente em países de todos os níveis de renda.

O diabetes tipo 1, conhecido como diabetes juvenil ou diabetes dependente de insulina, é uma condição crônica na qual o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina por si só.

O diabetes gestacional é um terceiro tipo, caracterizado por hiperglicemia, ou aumento de açúcar no sangue, com valores acima do normal, mas abaixo dos diagnósticos de diabetes, e que ocorre durante a gravidez. As mulheres e seus filhos também têm maior risco de diabetes tipo 2 no futuro.

Outros dados OMS

– 1 a cada 11 pessoas têm diabetes;

– 422 milhões de adultos têm diabetes;

– 3.7 milhões de mortes devido ao diabetes e alto nível de glicose no sangue;

– 1.5 milhões de mortes causadas pelo diabetes.