No Dia Mundial da Criança, jovens têm voz ativa em celebração na sede da ONU

As crianças foram protagonistas na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira (20), no Dia Mundial da Criança, durante uma cúpula do UNICEF em comemoração aos 30 anos da adoção de um tratado que protege seus direitos. A cerimônia foi um dos inúmeros eventos deste ano que avaliaram os progressos alcançados sob a histórica Convenção sobre os Direitos da Criança.

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Durante uma cúpula realizada nesta última quarta-feira (20), a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, recebeu lideranças e ativistas que uniram-se a crianças e jovens de todo o mundo em ações para proteger e promover seus direitos.

Na ocasião, a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, lembrou que a organização saúda o compromisso renovado com os direitos da criança e exorta todos os Estados-membros a não deixar nenhuma criança para trás.

“Hoje marcamos um dia importante para os direitos da criança. No Dia Mundial da Criança e quando comemoramos o 30º aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, 105 Estados-membros deram o seu apoio a um Juramento Global que promete renovar seu compromisso com os direitos da criança.”

As crianças foram protagonistas na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira (20), no Dia Mundial da Criança, durante uma cúpula do UNICEF em comemoração ao marco de 30 anos da adoção de um tratado que protege seus direitos. A cerimônia foi um dos inúmeros eventos deste ano que avaliaram os progressos alcançados sob a histórica Convenção sobre os Direitos da Criança.

“Em capitais e edifícios mundiais como este, os adultos falam sobre os direitos das crianças. Mas hoje, os jovens não querem ser debatidos. Queremos falar”, declarou a atriz britânica Millie Bobby Brown, estrela da série de sucesso da Netflix “Stranger Things” e a mais jovem embaixadora já nomeada do UNICEF.

Vozes que têm muito a dizer

Dante Vegara, ativista chileno de 11 anos na luta pelo clima, tinha um pedido para a comunidade internacional: aja agora para proteger nosso planeta.

“Muitas vezes, as questões ambientais e as mudanças climáticas são adiadas porque há coisas mais urgentes a serem resolvidas, e estou preocupado que muitos adultos continuem vendo as coisas dessa maneira”, disse.

“A mudança climática é um problema muito grave. Meninas e meninos têm algo a dizer, porque somos nós que iremos herdar um mundo cada vez mais doente. Sem um ambiente saudável, todos os nossos direitos estão ameaçados”, concluiu o jovem ativista.

Embora não mais uma criança, a lenda do futebol David Beckham relembrou sua juventude na East End de Londres, onde sua família, professores e mais tarde treinadores, apoiaram seu sonho de se tornar um jogador de futebol.

Embaixador do UNICEF desde 2005, Beckham viu como dezenas de crianças em todo o mundo não tiveram a mesma sorte.

“Crianças passando fome e doentes. Crianças vivendo em meio a guerras. Crianças que perderam os pais em terremotos e inundações. Meninas e meninos com histórias e origens diferentes das minhas, mas como todas as crianças, eles têm algo em comum: ambições e sonhos por um futuro melhor”, afirmou.

Dirigentes da ONU se pronunciam

O aniversário da convenção de direitos da criança oferece uma oportunidade para adultos e crianças trabalharem juntos para construir esse futuro melhor, disse a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, durante o encontro.

Embora marcos importantes tenham sido alcançados desde a sua adoção, incluindo o fato de mais crianças estarem na escola, muitas das crianças mais pobres ainda estão sendo deixadas para trás.

Crianças que ainda vivem em favelas, que vão dormir com fome ou que não têm acesso a cuidados de saúde e educação. As crianças também foram forçadas a lutar em guerras, rotuladas como terroristas, sofreram abuso sexual ou foram traficadas em cativeiro, entre outros horrores não contados.

Na sede das Nações Unidas e em mais de 50 países, crianças, adolescentes e jovens se pronunciaram em cúpulas nacionais sobre questões importantes para eles, como a crise climática, a segurança no mundo online, o aumento da migração e a falta de oportunidades.

Nos últimos 30 anos, enquanto milhões de crianças viram sua vida melhorar, outros milhões continuaram a lidar com a pobreza, a desigualdade, a discriminação e os conflitos. Pior ainda, o século 21 trouxe novos desafios que eram inimagináveis apenas algumas gerações atrás.”

Henrietta Fore, diretora-executiva do UNICEF, disse durante o evento em Nova Iorque que “o melhor caminho para um futuro melhor e mais sustentável para todos é investir em todas as crianças hoje”.

“Enquanto olhamos para os próximos 30 anos de progresso, vamos reiterar o compromisso com os direitos da criança. E vamos tornar esses direitos reais em programas, políticas e serviços em todas as comunidades, em todos os países, ao redor do mundo”, pontuou.

Práticas de bullying na internet são condenadas

E enquanto três décadas de desenvolvimentos tecnológicos empoderaram crianças, Michelle Bachelet, alta-comissária de direitos humanos das Nações Unidas, relatou em Genebra, como a internet tem sido usada para praticar o bullying, intimidar e explorar crianças.

“Precisamos tomar medidas para proteger as crianças da exploração e dos danos”, disse. “Precisamos de ações para garantir que as crianças tenham poder para levantar a voz – e para proteger contra ataques físicos e outras formas de abuso as crianças que se levantam para defender direitos humanos e os direitos da criança”.

“Como milhões de outras meninas em todo o mundo, eu também fui intimidada e assediada online”, revelou Millie, que foi vítima de bullying na infância. “É uma sensação aterrorizante olhar para o seu telefone e ver que as mensagens que as pessoas estão enviando para você estão cheias de raiva, ódio e até ameaças.”

Jovens meninas devem ser prioridade

Tijjani Muhammad-Bande, presidente da Assembleia Geral, que reúne todos os 193 Estados-membros da ONU, sublinhou a necessidade de tornar as meninas uma prioridade. Cerca de 650 milhões em todo o mundo já se casaram antes de completar 18 anos.

“É crucial que as meninas sejam incentivadas a permanecer na escola e a obter a aptidão necessária para o desenvolvimento de sua capacidade mental e humana”, disse Tijjani em seu discurso de abertura.

Combater a mudança climática, acabar com a pobreza e a fome, proporcionar educação de qualidade e empoderar mulheres e meninas está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que têm prazo final definido para 2030.

Como apontou a vice-secretária-geral da ONU, ainda há mais trabalho pela frente e as crianças devem estar no centro de todos os esforços.

“Os líderes mais importantes do nosso tempo são as crianças. Ativistas jovens apaixonados e engajados de todas as regiões do mundo estão enviando um alerta para as antigas gerações. Eles estão justamente exigindo ações sobre a crise climática, a desigualdade de gênero, os direitos humanos e os sistemas econômicos que priorizam ganhos de curto prazo sobre a saúde de nosso planeta e de sua população”, afirmou.

“Trinta anos após a Convenção sobre os Direitos da Criança, é chegada a hora de ouvir as vozes de nossos filhos e escutar seus apelos para que as promessas quebradas sejam cumpridas.”