No dia das forças de paz, secretário-geral da ONU homenageia militares no Mali

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Em visita ao Mali para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse “ter orgulho de ser colega” dos soldados que servem sob a bandeira da Organização, no país e em outras partes do mundo. Dirigente reconheceu que as circunstâncias na nação africana são “extremamente perigosas” e prometeu melhorias em treinamentos, equipamentos e capacidades operacionais.

Guterres cumprimenta oficial da MINUSMA em cerimônia para marcar o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, 29 de maio. Foto: MINUSMA

Guterres cumprimenta oficial da MINUSMA em cerimônia para marcar o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, 29 de maio. Foto: MINUSMA

Em visita ao Mali para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta terça-feira (29) “ter orgulho de ser colega” dos soldados que servem sob a bandeira da Organização, no país e em outras partes do mundo. Dirigente reconheceu que as circunstâncias na nação africana são “extremamente perigosas” e prometeu melhorias em treinamentos, equipamentos e capacidades operacionais.

“Hoje, no Mali, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul, temos quatro operações de manutenção da paz que não correspondem mais ao que era concebido como manutenção da paz quando as Nações Unidas começaram a realizar essas operações”, ressaltou o chefe da ONU em pronunciamento para integrantes da MINUSMA, a missão de paz no Mali, e para o primeiro-ministro do país, Soumeylou Boubèye Maïga.

“Essas operações foram concebidas numa lógica em que haveria um acordo de paz estável entre os diferentes ex-combatentes de um país ou de um grupo de país. E o papel dos capacetes-azuis seria somente assegurar a consolidação da paz, a estabilização do país, e facilitar a transição rumo à democracia”, acrescentou Guterres.

Mas atualmente, no Mali e nos outros três países africanos, a paz não está garantida, segundo o secretário-geral. “Vocês trabalham num contexto em que existem grupos terroristas que não respeitam nada nem ninguém. Vocês trabalham num contexto em que existe tráfico de droga, de seres humanos, de armas”, lembrou o dirigente.

Guterres ressaltou que, em prol da proteção de civis, os capacetes-azuis no Mali mostraram ser capazes de todos os sacrifícios — para muitos, isso incluiu o sacrifício supremo da vida. Em 2017, 21 militares e sete civis da MINUSMA morreram em serviço.

“Eu quero lhes agradecer profundamente por esse esforço, por esses sacrifícios, quero lhes homenagear e dizer como sou orgulhoso de trabalhar com vocês pela paz, pelo desenvolvimento e os direitos humanos no mundo inteiro”, afirmou o secretário-geral, que disse ainda que os capacetes-azuis são o “símbolo mais evidente” das próprias Nações Unidas.

Desafios nacionais e regionais

Guterres também disse ter consciência dos problemas da MINUSMA que podem ser solucionados para reduzir riscos. O chefe da ONU declarou que está desenvolvendo estratégias para melhorar o apoio aos capacetes-azuis em todas as áreas — incluindo equipamentos, treinamentos, capacidades para mobilizar o Conselho de Segurança e os países que contribuem com tropas, material ou assistência financeira.

Em mensagem para o primeiro-ministro, o secretário-geral explicou que a ONU sabe que cabe aos maleses a resolução de tensões domésticas. Entre os atuais desafios, lembrou Guterres, estão a concretização do acordo de paz e reconciliação em todos os campos, a organização de eleições que funcionem como um fator de transparência e legitimidade para o vínculo entre a população e as autoridades e a garantia da segurança no centro do Mali, considerada essencial para a unidade nacional.

“A paz no Mali é um fator de segurança em escala global. É preciso que o mundo entenda isso e é preciso que o mundo os apoie sem condições”, disse o chefe da ONU.

Guterres enfatizou ainda que tem trabalhado para buscar solidariedade internacional com a Força Conjunta do G5 do Sahel — uma aliança militar entre Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Níger e Chade para combater atividades criminosas que desestabilizam a região.


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