No dia da propriedade intelectual, agência da ONU promove debate com cientista brasileira

Para celebrar o Dia Mundial da Propriedade Intelectual, o escritório brasileiro da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em cooperação com o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET), organizou um debate no Rio de Janeiro para discutir a participação das mulheres na inovação.

Entre as debatedoras, estava a professora e cientista brasileira Joana D’Arc Felix de Souza, que fez um discurso comovente sobre sua origem pobre em Franca, interior de São Paulo, e sua jornada até obter um doutorado em Harvard.

A professora e cientista Joana D’Arc Felix de Souza. Foto: Acervo Pessoal

A professora e cientista Joana D’Arc Felix de Souza. Foto: Acervo Pessoal

Para celebrar o Dia Mundial da Propriedade Intelectual (26 de abril), o escritório brasileiro da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em cooperação com o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET), organizou um debate no Rio de Janeiro para discutir a participação das mulheres na inovação.

Isabella Pimentel, conselheira do escritório da OMPI no Brasil, fez uma apresentação sobre os aspectos básicos da propriedade intelectual e o papel da OMPI para uma audiência formada por professores e alunos de graduação.

A palestra foi seguida de uma apresentação intitulada “Transformando alunos de graduação com educação técnica profissional em produtores de conhecimento”, feita pela química, professora e cientista brasileira Joana D’Arc Felix de Souza.

A professora fez um discurso comovente, no qual falou sobre sua origem pobre em Franca, interior de São Paulo, como filha de empregada doméstica e de um trabalhador de curtume de couro, e sobre sua jornada até obter um doutorado em Harvard. Ela também apresentou seu portfólio de projetos em química, desenvolvidos por seus alunos do ensino médio.

Entre os produtos que ela e sua equipe desenvolveram, estão uma pele humana artificial para transplantes e testes farmacológicos e um tecido ósseo para remodelação, reconstituição e transplante. Ao selecionar os alunos para o laboratório, a cientista prioriza aqueles que vêm de famílias desestruturadas ou que correm o risco de se envolver com tráfico de drogas e prostituição.

Dirigindo-se a uma plateia de jovens, a professora disse que saiu da pobreza devido ao hábito de ler, e aconselhou os alunos a fazerem o mesmo, aprender a interpretar textos e nunca desistir da educação.

Hoje, graças à qualidade do trabalho desenvolvido por seus alunos, ela conseguiu criar uma cooperativa que arrecada fundos para pesquisa, registra patentes e comercializa resultados. A cooperativa está localizada na Escola Técnica Prof. Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, onde trabalha há 14 anos.