No Conselho de Segurança, enviado da ONU apresenta próxima rodada de negociações sobre a Síria

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

“Estamos em um momento de testar se a vontade política existe para uma real redução da violência e para conversações políticas mais significativas que ultrapassem conversas preparatórias”, disse Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, ao Conselho de Segurança.

Comboio humanitário a caminho da cidade síria sitiada de Madaya. Foto: OCHA Síria

Comboio humanitário a caminho da cidade síria sitiada de Madaya. Foto: OCHA Síria

O mediador das Nações Unidas para o conflito na Síria apresentou nessa terça-feira (27) o roteiro para as próximas duas semanas antes da rodada de negociações sobre a Síria, com início previsto para 10 de julho em Genebra, na Suíça.

“Estamos em um momento de testar se a vontade política existe para uma real redução da violência e para conversações políticas mais significativas que ultrapassem conversas preparatórias”, disse Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, ao Conselho de de Segurança. Ele participou de uma reunião em Nova Iorque por meio de uma videoconferência, a partir de Genebra.

O seu informe se centrou nos últimos desenvolvimentos e em alguns dos possíveis futuros passos a serem seguidos de modo a criar um ambiente propício que leve ao fim da guerra. O conflito na Síria já dura mais de seis anos.

Ele disse que “a trajetória ideal” nas próximas duas semanas seria o progresso na próxima rodada das conversas da Astana, capital do Cazaquistão, nos dias 4 e 5 de julho.

O processo que ocorre nesta cidade é liderado pela Rússia, Turquia e Irã e produziu um acordo de cessar-fogo entre as partes em guerra na Síria no final de dezembro de 2016. Cinco meses depois, um outro acordo foi concluído para criar zonas especiais na Síria para prevenir incidentes e confrontos militares entre as partes em guerra.

Espera-se que essas zonas também proporcionem maior acesso humanitário aos 6,3 milhões de pessoas que ainda vivem no país hoje.

“Vamos dar aos esforços de cessar-fogo uma chance justa de ter sucesso, porque é o que as pessoas estão pedindo para reduzir a violência e permitir a criação de confiança”, afirmou Mistura.

Desde que os três países que garantem o acordo – os chamados “guarantor States” – assinaram o memorando em 4 de maio, em Astana, a violência claramente diminuiu, disse o enviado da ONU, observando que centenas de vidas sírias continuam a ser poupadas todas as semanas, e muitas cidades retornaram a algum grau de normalidade. No entanto, em algumas áreas, a luta e a violência continuaram e até mesmo se intensificaram.

Enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Já a melhoria geral da situação de segurança, lamentavelmente, não produziu progressos igualmente significativos no acesso humanitário às áreas onde as necessidades são maiores, acrescentou Mistura.

“A cada semana, sabemos, sem que um arranjo final para as zonas especiais seja efetivamente finalizado, a fragilidade do regime de cessar-fogo e o risco pela fragilidade aumenta”, advertiu.

As conversas de Astana devem ser seguidas por um conjunto adicional de reuniões de especialistas e de grupos de oposição na mesma semana, bem como uma discussão contínua entre as partes internacionais envolvidas no processo – incluindo durante a Cúpula do G20, em Hamburgo, em 7 e 8 de julho –, onde o tema da Síria não pode ser evitado, disse ele.

“Espero que uma combinação desses elementos ajude a moldar um ambiente propício para a próxima rodada de negociações em Genebra nos próximos meses”, disse o enviado da ONU.

Ele observou que esse cenário “nos colocaria um passo à frente no caminho para o nosso objetivo comum”, se referindo à implementação das resoluções do Conselho de Segurança, em particular a resolução 2254 (2015), que estabeleceu o caminho para a paz.

Secretário-geral da ONU pede ação urgente para proteção de civis

Alertando sobre o sofrimento da população síria, em particular as pessoas na cidade de Raqqa e outros locais sitiados, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu na semana passada a todos que conduzem operações militares no país para garantir a segurança e a proteção da população e da infraestrutura civil.

Após mais de seis anos, o conflito já deixou mais de 13,5 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária, 6,3 milhões deslocadas internamente e forçou mais de 5,1 milhões a fugir para outros países.

“Civis continuam sendo mortos, feridos e deslocados a uma taxa aterrorizante. Locais de refúgio, hospitais e escolas continuam sendo alvejados”, afirmou o secretário-geral.

“Faço um apelo urgente para que todos aqueles conduzindo operações militares na Síria façam tudo em seu poder para proteger a população e a infraestrutura civil”, acrescentou.

Na declaração, o líder das Nações Unidas expressou particular preocupação por cerca de 430 mil civis sem ajuda humanitária em Raqqa, bem como as pessoas em outras áreas sitiadas e de difícil acesso, algumas privadas de alimentos e assistência médica básica por anos.

Além disso, em sua declaração, Guterres saudou os esforços das Nações Unidas e de agentes humanitários, afirmando que estes “fazem tudo o que podem para conter o sofrimento em Raqqa e em toda a Síria, muitas vezes com grande risco pessoal”.

“É crucial que todas as partes [do conflito] facilitem o acesso humanitário para permitir que a ajuda chegue a todos que precisam de uma assistência vital sem demora”, concluiu.


Comente

comentários