No Chile, natação aproxima irmãs refugiadas da Colômbia: ‘chilombianas’

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Valentina e Natalia aprenderam a nadar em Cali, no sul da Colômbia, país que deixaram há mais de uma década por motivos de segurança. Refugiadas no Chile, elas se aproximaram com a natação. A família foi recebida no país pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

As irmãs Gonzáles na piscina onde treinam, no Chile. Foto: Stephanie Rabi/ ACNUR

As irmãs Gonzáles na piscina onde treinam, no Chile. Foto: Stephanie Rabi/ ACNUR

As irmãs González veem o dia nascer de dentro da água seis vezes por semana, nadando na piscina olímpica do Estádio Nacional em Santiago do Chile. Elas treinam por quase duas horas antes de trabalhar ou estudar.

Valentina e Natalia aprenderam a nadar num centro recreativo localizado em Cali, no sul da Colômbia, cidade que deixaram por motivos de segurança há quase uma década. Quando chegou ao Chile, a família recebeu apoio do vicariato da Pastoral Social que, na época, era a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no país, que hoje tem cerca de 2 mil refugiados, sendo 90% colombianos.

A natação aproximou as irmãs. “Nos víamos todos os dias, íamos para a escola juntas e depois íamos para a piscina. Nos tornamos muito amigas e isso foi o mais bonito”, conta Valentina, a caçula, de 18 anos. Atualmente, as duas participam de competições nacionais de alto rendimento.

“Somos chilombianas”, completa Natalia, 20 anos. “Viver aqui tem sido uma experiência muito boa. Nunca sofremos discriminações e as pessoas sempre nos acolheram. Estamos adaptadas e temos amizades”, diz. A jovem ganhou menção como melhor esportista no primeiro ano de universidade e acredita que o esporte foi essencial para o processo de integração da família. “O ambiente da natação é muito acolhedor. Temos amigos e estamos perto de pessoas saudáveis. Isso te ampara, você não precisa de nada mais”.

“Quando praticamos esportes, não importa a idade, se você é homem ou mulher, qual a sua nacionalidade. Só importam os seus resultados e o seu rendimento. Acho que o esporte deveria ser incentivado entre as crianças refugiadas para facilitar a integração e retirá-los de situações de risco”, opina Valentina que, aos 18 anos, já representou o Chile na Copa Austral, uma competição internacional para esportistas chilenos, argentinos e uruguaios.

Atualmente, Valentina estuda Administração Pública, enquanto Natália trabalha e se prepara para o vestibular – ela quer se tornar uma grande especialista em cinesiologia (ciência que estuda os movimentos do corpo humano). Um futuro promissor de estudos e competições para a dupla de irmãs. Saiba mais clicando aqui.


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