No Cairo, António Guterres defende empoderamento da juventude

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que é necessário empoderar os jovens para superar os desafios da globalização, incluindo a xenofobia e a intolerância. Ele discursou a jovens estudantes na Universidade do Cairo, no Egito.

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU.

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que é necessário empoderar os jovens para superar os desafios da globalização, incluindo a xenofobia e a intolerância.

Ele discursou a jovens estudantes na Universidade do Cairo, no Egito, onde prestou tributo à influência árabe e moura na cultura de toda península ibérica, lembrando que a proteção a refugiados está descrita na fé muçulmana através das palavras do Alcorão: “proteção deve ser concedida a fiéis e infiéis”.

Ao falar sobre os desafios da paz e do conflito, Guterres analisou a mudança nas relações entre os países. “Estamos em um mundo caótico onde as relações de poder se tornaram nebulosas, onde a impunidade e a imprevisibilidade tendem a predominar e onde os conflitos se multiplicam.”

O secretário-geral reafirmou sua esperança na juventude que, “mais cosmopolita e internacionalista”, não expressa formas de xenofobia, racismo ou intolerância e tem real preocupação com o meio ambiente.

Para ele, os resultados da globalização e do progresso tecnológico são preocupantes. “Hoje, as oito pessoas mais ricas do mundo têm a mesma quantidade de riqueza do que a metade mais pobre de toda a população mundial. Isto demonstra o quanto a economia global de hoje é injusta.”

Para Guterres, o fato de tantas pessoas serem deixadas para trás em muitas sociedades gera uma reação contra a globalização, contra o mercado livre e contra muitos aspectos do progresso tecnológico. E ponderou que a juventude tem importante papel nos desafios enfrentados por muitos países, principalmente com relação ao desemprego.

“O desemprego de jovens não é apenas um problema terrível para aqueles que se vêm sem esperança no futuro, mas também se torna uma das piores ameaças à paz e à segurança global. (…) Não há nada mais fácil para que esta raiva e frustração sejam utilizadas pela propaganda de organizações extremistas”, alertou.

António Guterres lembrou que há extremismos diversos – desde o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/Da´esh) até partidos populistas xenófobos. Para ele, uma maneira de evitar isto é apostar fortemente no empoderamento da juventude e, para isto, ajustes são necessários.

“Precisamos adaptar nossas instituições políticas para sermos capazes de interagir em todos os meios, para que os jovens tenham voz na maneira como administramos nossos países, nossas instituições e nossas organizações, para garantir que o empoderamento da juventude, que pode ser determinante na definição de nossos objetivos globais.”


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