No Brasil, subsecretária-geral da ONU esclarece mitos sobre educação sexual

De acordo com a subsecretária-geral da ONU e chefe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, pesquisas comprovam que a educação sexual não leva a atividades sexuais precoces. Ao contrário, o ensino do tema ajuda a combater comportamentos de risco e prevenir a gravidez na adolescência.

“Existe um movimento crescente para privar jovens dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e das informações de que necessitam. Como resultado, muitos jovens recebem mensagens incorretas, conflitantes e confusas sobre sexualidade e gênero”, afirmou Natalia sobre a atual conjuntura da América Latina, durante palestra que abriu na sexta-feira (22) o ano letivo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), no Rio de Janeiro (RJ).

Natalia Kanem, chefe do UNFPA, em visita à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Natalia Kanem, chefe do UNFPA, em visita à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Em passagem pelo Brasil, a diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, defendeu a educação sexual abrangente como forma de prevenir a gravidez na adolescência e promover a saúde dos jovens. De acordo com a subsecretária-geral da ONU, pesquisas comprovam que a divulgação desse tipo de informação não leva a atividades sexuais precoces. Ao contrário, o ensino do tema ajuda a combater comportamentos de risco.

“Existe um movimento crescente para privar jovens dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e das informações de que necessitam. Como resultado, muitos jovens recebem mensagens incorretas, conflitantes e confusas sobre sexualidade e gênero”, afirmou Natalia sobre a atual conjuntura da América Latina, durante palestra que abriu na sexta-feira (22) o ano letivo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), no Rio de Janeiro (RJ).

No Brasil, embora a gravidez na adolescência tenha registrado queda de 17% entre 2004 e 2015, a taxa continua relativamente alta. Em torno de 20% das crianças brasileiras nascem de mães adolescentes. O índice sobre para quase 30% na região Norte.

Garantir que todas as mulheres e adolescentes tenham os meios e as informações para prevenir gestações indesejadas é um desafio não só do Brasil, como de muitos outros países.

Natalia Kanem, chefe do UNFPA, durante aula inaugural na FIOCRUZ. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Natalia Kanem, chefe do UNFPA, durante aula inaugural na FIOCRUZ. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Em seu pronunciamento, Natalia ressaltou que mais de 200 milhões de mulheres em países em desenvolvimento desejam evitar a gravidez, mas não fazem uso de métodos contraceptivos modernos. Mais de 300 mil mulheres morrem a cada ano — são 830 óbitos por dia — de complicações na gravidez, parto ou puerpério. A maioria desses falecimentos, além de evitáveis, afeta não apenas mulheres, mas também meninas.

“Ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir que todas as pessoas, em todos os lugares, possam exercer seus direitos sexuais e reprodutivos. Alguns grupos prefeririam que voltássemos a um tempo em que as mulheres não tivessem controle sobre seus corpos ou suas vidas. As mulheres não vão voltar. É hora nos unirmos e mobilizar, na academia e nas comunidades médicas, de saúde pública e jurídicas”, ressaltou a chefe do UNFPA.

“A escolha está no centro dos direitos reprodutivos. É sobre integridade física: ter o poder e os meios para dizer não e dizer sim. Escolha é ter o poder e os meios para tomar suas próprias decisões sobre quando, com quem ou com que frequência ter filhos”, acrescentou a subsecretária-geral.

Aula inaugural reuniu representantes do UNFPA, academia e sociedade civil. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Aula inaugural reuniu representantes do UNFPA, academia e sociedade civil. Foto: UNFPA/Valda Nogueira

Segundo Natalia, escolhas sobre planejamento familiar e saúde sexual e reprodutiva também implicam “ter o poder e os meios para procurar atendimento durante a gravidez e o parto e para ter certeza de que receberá atendimento de qualidade assim que chegar ao serviço de saúde”. “Em última análise, é sobre a vida e a morte”, completou a dirigente.

A chefe do UNFPA chamou atenção ainda para a violência de gênero contra as jovens. De acordo com Natalia, ao menos 15 milhões de adolescentes, em todo o mundo, já foram obrigadas a fazer sexo, muitas vezes por parceiros, parentes ou amigos. Mas apenas uma em cada cem procura ajuda.

Parceria entre UNFPA e Fundação Oswaldo Cruz

O UNFPA e a Fundação Oswaldo Cruz desenvolvem uma parceria para fortalecer as políticas públicas de saúde do Brasil, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 2016, ambas as instituições colaboraram no monitoramento e combate da epidemia de zika no país. A cooperação organizou espaços de diálogo contínuo entre especialistas, pesquisadores, sociedade civil, organismos internacionais, autoridades locais e o Governo Federal.

A agência da ONU e a FIOCRUZ também buscam aprimorar a gestão do conhecimento, com ênfase na sistematização e revisão de pesquisas sobre saúde e juventude. O trabalho visa facilitar o acesso a evidências acadêmicas para embasar a formulação de políticas públicas e promover os direitos de jovens.

Também presente na aula inaugural, o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, ressaltou a importância das atividades realizadas pelas duas instituições.

“No ano em que celebramos 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, temos a satisfação de seguir em diálogo e parceria com a FIOCRUZ, que, de certo, permite a materialização de nosso mandato, na medida que contribui indireta e diretamente, de diversas formas, para o alcance do desenvolvimento sustentável, criando um mundo em que todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros e cada jovem alcance seu potencial”, afirmou o especialista.

A presidente da FIOCRUZ, Nísia Trindade Lima, lembrou que a Fundação tem estratégias para contribuir com o cumprimento da Agenda 2030 da ONU. A pesquisadora e gestora também reafirmou o compromisso com a parceria com o UNFPA. “Nós, mulheres, podemos ser o que queremos ser, para exercer escolhas e ter caminhos de possibilidades”, disse a chefe da instituição.


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