No Brasil, PNUD debate formas de combater emissão dos gases que destroem a camada de ozônio

Agência da ONU lidera o programa do governo brasileiro para eliminar HCFCs. Iniciativa é resposta do Brasil às exigências do Protocolo de Montreal. Seminário em Fortaleza discutiu a emissão dessas substâncias na produção e uso de equipamentos de ar-condicionado.

Protocolo de Montreal quer eliminar produção e consumo de HCFCs no mundo até 2040. Foto: Flickr / Observatório da Terra da Nasa (CC)

Protocolo de Montreal quer eliminar produção e consumo de HCFCs no mundo até 2040. Foto: Flickr / Observatório da Terra da Nasa (CC)

Nesta semana, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil realizou, em Fortaleza, seu segundo seminário sobre o uso de gases CFC – extremamente nocivos à camada de ozônio – em aparelhos centrais de ar-condicionado.

O evento reuniu especialistas e representantes do governo e da indústria para debater os desafios que o mercado e os países enfrentam para tornar as tecnologias de refrigeração menos danosas ao meio ambiente.

“Devido ao crescimento populacional, o aumento da urbanização e outras razões, os países em desenvolvimento apresentam um aumento significativo do setor de ar-condicionado e refrigeração e, por isso, precisamos trabalhar juntamente com esses países”, destacou o pesquisador do Instituto Mauá de Tecnologia, Roberto Peixoto.

O especialista destacou a importância do Protocolo de Montreal, que visa eliminar a produção e o consumo dos HCFCs em todo o planeta até 2040.

Em vigor no mundo desde 1987, o tratado foi ratificado pelo Brasil em 1990. O documento conta com mecanismos de financiamento para que países em desenvolvimento consigam adaptar suas cadeias produtivas às metas de eliminação dos HCFCs. Para receber os recursos, os Estados precisam ter seus programas implementados em parceria com agências da ONU.

No Brasil, o PNUD é a agência líder do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) – a resposta do governo às exigências do Protocolo. Além do Programa, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a agência de cooperação alemã (GIZ) atuam junto às autoridades e ao setor privado para o cumprimento de objetivos nacionais.

“Estamos cumprindo muito bem nossas metas da primeira etapa do PBH. O Brasil tinha como meta eliminar 16,6% do consumo dos HCFCs em 2015 e alcançou essa meta. Eliminamos 23% do consumo”, ressaltou a gerente de proteção da camada de ozônio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Magna Luduvice.

“Agora, na segunda etapa, até 2020, teríamos que reduzir 35%. O Brasil fez um acordo que, até 2021, temos que eliminar 45%. Então, de novo, foi uma meta mais ambiciosa”.

Luduvice explicou que o PNUD coordena os projetos voltados para o setor de produção de espumas.

“Pensamos também que as substâncias que destroem a camada de ozônio parecem não fazer parte do nosso cotidiano, mas elas estão nas espumas, quer dizer, na cadeira em que estamos sentados, no colchão em que dormimos, no volante dos automóveis, no setor de refrigeração e no ar-condicionado”, disse.

Fruto de uma parceria com o MMA, o seminário desta semana apresentou os resultados de projetos para os sistemas de refrigeração de dois edifícios privados na cidade de São Paulo.

“Quando este projeto foi concebido, tínhamos como objetivo apoiar o retrofit – introdução de nova tecnologia em antigos equipamentos – em edifícios, para eliminar o uso de CFC em chillers (refrigeradores). Hoje, percebemos a necessidade de aumentar foco para toda a instalação de ar-condicionado, para buscar a eficiência energética e o conforto do usuário”, disse a oficial do PNUD e gerente do Protocolo de Montreal no Brasil, Marina Ribeiro.

Outras substâncias já estão sendo introduzidas no mercado para substituir os CFCs em sistemas de refrigeração, como hidrocarbonetos e amônia. Apesar dos avanços e investimentos em pesquisa, esses produtos ainda apresentam alguns riscos para os consumidores, pois são altamente inflamáveis e exigem cuidados de manutenção e segurança.

Confira a entrevista completa com a gerente de proteção da camada de ozônio do Ministério do Meio Ambiente, Magna Luduvice