Nigéria: Subsecretário-Geral para Assuntos Humanitários solicita a doadores resposta urgente à crise de alimentos

“Temos cerca de 46% do que pedimos e continuamos a solicitar com grande urgência que a comunidade de doadores reconheça a gravidade da situação, que reconheça que nós podemos impedir que se transforme em um desastre, mas apenas se agirmos rapidamente”, afirmou John Holmes.

Mais de 10 milhões de pessoas com risco de inanição em Sahel. Foto: UN.O chefe humanitário das Nações Unidas pediu para que doadores respondam com urgência ao apelo de fundos para ajudar as milhões de pessoas que estão sofrendo com grave escassez de alimentos na Nigéria, em virtude da seca prolongada e da quebra de safra em Sahel, região árida da África Ocidental.

“Temos cerca de 46% do que pedimos e continuamos a solicitar com grande urgência que a comunidade de doadores reconheça a gravidade da situação, que reconheça que nós podemos impedir que se transforme em um desastre, mas apenas se agirmos rapidamente”, disse o Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador de operações de emergência da ONU, John Holmes, à Rádio ONU, em entrevista na terça-feira (22).

As agências humanitárias solicitaram, em abril, cerca de 190 milhões de dólares para atender às necessidades geradas pela crise na Nigéria, onde quase a metade do país, 7,1 milhões de pessoas, corre o risco de inanição. As chuvas do ano passado levaram a um declínio de 30% na produção de cereais no país em comparação a 2008, enquanto a produção de forragem é cerca de 62% abaixo das necessidades. Os preços dos alimentos continuam altos, apesar de um declínio de seus picos em 2008. Holmes disse que há, também, um crescente reconhecimento de que o mundo precisa chamar a atenção para as causas subjacentes à insegurança alimentar crônica em regiões como o Sahel e o Chifre da África, propensas a secas recorrentes. “É melhor investir agora e rapidamente na agricultura. Acho que há um consenso na comunidade internacional sobre isso”.

O Subsecretário disse ainda que, dados os recursos adequados, tanto as agências da ONU quanto as organizações não-governamentais (ONGs) estão melhor preparadas para responder à crise na Nigéria do que estavam em 2005, quando o país viveu outra séria crise de alimentos. “Eu acho que nós temos uma real capacidade de solução; tanto nas agências da ONU quanto nas ONGs, temos uma rede de centros nutricionais e centros de alimentação suplementar e nutricional, criados em 2005. O que precisamos fazer é acelerar ainda mais essa capacidade e nos certificarmos de que, como eu disse, é baseada em recursos, porque as pessoas não têm comida, ou quando há comida, eles precisam de dinheiro para comprá-la”, disse Holmes, que visitou a Nigéria em abril.

Ele disse também que a situação de emergência na Nigéria foi agravada pela perda generalizada de forragens e de mortes de animais em uma sociedade cuja subsistência depende em grande parte do gado. “Eu estive nos centros de nutrição, vi os bebês desnutridos, o que é sempre terrível de se ver. Você vê crianças de dois ou três que parecem ter apenas alguns meses de idade. Essa é uma visão terrível para qualquer ser humano”.


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