Nigéria: Boko Haram provocou deslocamento de 1,4 milhão de crianças, alerta UNICEF

Relator especial da ONU na Nigéria condena atentado que deixou sete mortos em campo de refugiados, que abrigava 32 mil pessoas.

Pessoas internamente deslocadas aguardam distribuição de alimentos em Yola, na Nigéria. Foto: OCHA / Nick Horne

Pessoas internamente deslocadas aguardam distribuição de alimentos em Yola, na Nigéria. Foto: OCHA / Nick Horne

O aumento do número de ataques do Boko Haram no nordeste da Nigéria e países vizinhos provocou o deslocamento de meio milhão de crianças nos últimos cinco meses, levando a que a cifra de crianças deslocadas pelo conflito some 1,4 milhão de meninos e meninas, alertou o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) nesta sexta-feira (18).

O diretor regional do UNICEF para a África Ocidental e Central, Manuel Fontaine, lamentou a crise humanitária. “É verdadeiramente alarmante ver que crianças e mulheres continuam sendo mortas, sequestradas e usadas para carregar bombas”, afirmou.

A agência opera na região para levar água, educação e apoio psicossocial para as crianças deslocadas, mas destaca que a restrição de fundos de 70% do valor necessário para atender as crianças pode comprometer a distribuição dessa ajuda vital.

Em outro comunicado, o relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Nigéria, Chaloka Beyani, condenou o atentado a um campo de refugiados no nordeste do país, que provocou a morte de ao menos sete nigerianos e deixou 14 feridos. O campo Malkohi, que abrigava cerca de 32 mil deslocados internos em Yola, foi alvo de um bombardeio suicida na sexta-feira (11).

Segundo Beyani, esse é o primeiro ataque a um campo de refugiados da região, desde o começo da escalada da crise na Nigéria. “Os deslocados internos estão entre os mais vulneráveis e, de acordo com os direitos humanos internacionais e a lei humanitária, eles têm que ser protegidos contra quaisquer ataques diretos e indiscriminados ou outros atos de violência contra eles ou seus campos ou instalações”, afirmou.

Apesar das tensões geradas pelo ataque ao campo Malkohi, Beyani se posicionou contra os excessos de agentes de segurança que investigam e fiscalizam os campos de refugiados em busca de terroristas. “Qualquer medida de segurança não deve infringir os direitos humanos dos deslocados internos, incluindo sua liberdade de ir e vir e a unidade familiar”, completou. Nenhuma organização assumiu a autoria do ataque até o momento.

Mais de 2,1 milhões de pessoas já foram forçadas a abandonar seus lares no nordeste do país, desde o recrudescimento das atividades do grupo Boko Haram e desde a declaração de estado de emergência pelo governo, em maio de 2013.