Nigéria: após denúncias de abusos de forças de segurança, ONU pede justiça para as vítimas

Além dos atos bárbaros do Boko Haram, nigerianos enfrentam abusos de poder das forças armadas do país, incluindo prisões arbitrárias e detenção, tortura e execuções sumárias.

Hadjara, 8, fugiu de um ataque do Boko Haram em Baga, Nigéria. Ela recebeu um disparo e teve o braço amputado no hospital no Chade. Foto: OCHA/Caroline Birch

Hadjara, 8, fugiu de um ataque do Boko Haram em Baga, Nigéria. Ela recebeu um disparo e teve o braço amputado no hospital no Chade. Foto: OCHA/Caroline Birch

Além das graves violações de direitos humanos cometidas pelo Boko Haram, o alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, mostrou sua preocupação, nesta sexta-feira (05), com os relatos de abuso de poder das forças armadas nigerianas durante suas ofensivas.

Zeid explicou que sua predecessora, Navi Pillay, já tinha alertado sobre atos cometidos pelas forças de segurança contados por vítimas que ela conheceu durante sua missão ao país. Segundo os relatos, esses abusos serviram para alienar as populações locais e criar terreno para favorecer o recrutamento do Boko Haram.

“Desde então, continuamos recebendo novos relatórios sobre prisões arbitrárias e detenção, tortura e execuções sumárias, bem como o fracasso em tomar medidas adequadas para garantir a proteção de civis durante as operações contra insurgentes”, disse.

Zeid reconheceu os desafios que o governo nigeriano enfrenta e expressou seu incentivo ao novo presidente eleito em seus esforços para promover o Estado de Direito, garantir justiça e combater o terrorismo. No entanto, instou o governo a estabelecer “investigações independentes” para as alegações de violações pelas forças armadas nigerianas, incluindo aquelas relacionadas à morte e assassinato de milhares de pessoas detidas nas instituições do Estado.


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