Nicarágua deve cessar represálias contra jornalistas, dizem especialistas em direitos humanos

O governo da Nicarágua deve cessar represálias contra funcionários da Radio Dario e acabar com a censura a outros trabalhadores da mídia, disseram nesta segunda-feira (26) relatores de direitos humanos das Nações Unidas.

“Alegações recentes mostram a repressão sistemática de jornalistas e trabalhadores da mídia, que relataram terem sido assediados, silenciados, ameaçados e agredidos”, disseram os especialistas.

Ataques contra a mídia e os defensores de direitos humanos aumentaram consideravelmente desde abril de 2018. Especialistas da área estão preocupados com o impacto que tais ações têm não só nas liberdades de expressão e de reunião pacífica mas também na redução acelerada do espaço cívico em um momento crítico para a sociedade nicaraguense.

Mulher durante protesto em Manágua, Nicarágua, em abril de 2018. Foto: Foto: Celia Mendoza/Voice Of America

Mulher durante protesto em Manágua, Nicarágua, em abril de 2018. Foto: Foto: Celia Mendoza/Voice Of America

O governo da Nicarágua deve cessar represálias contra funcionários da Radio Dario e acabar com a censura a outros trabalhadores da mídia, disseram nesta segunda-feira (26) relatores de direitos humanos das Nações Unidas.

“Alegações recentes mostram a repressão sistemática de jornalistas e trabalhadores da mídia, que relataram terem sido assediados, silenciados, ameaçados e agredidos”, disseram os especialistas.

Ataques contra a mídia e os defensores de direitos humanos aumentaram consideravelmente desde abril de 2018. Especialistas da área estão preocupados com o impacto que tais ações têm não só nas liberdades de expressão e de reunião pacífica mas também na redução acelerada do espaço cívico em um momento crítico para a sociedade nicaraguense.

Trabalhadores da emissora Radio Dario na cidade de León foram vítimas de assédio, ameaças, detenções arbitrárias e atos de violência. As instalações da emissora foram invadidas por indivíduos pró-governo que causaram danos graves ao espaço e impediram o trabalho dos funcionários. Temendo por suas vidas, algumas das vítimas saíram do país, deixando suas famílias em situação precária. Autoridades nicaraguenses não tomaram medidas para prevenir, investigar ou indiciar tais atos.

“Ataques a jornalistas e trabalhadores da mídia violam os direitos de indivíduos e da sociedade de procurar e receber informações. Em um contexto frágil como o da Nicarágua, o trabalho da mídia é de importância primordial no fortalecimento do espaço cívico”, disseram os especialistas em direitos humanos.

“Também estamos preocupados com campanhas de difamação e intimidação da mídia, (nas quais) os funcionários são acusados de serem inimigos da pátria. Esta é uma tática usada para induzir a sociedade a deixar de confiar na mídia, além de dissuadir o povo de se manifestar.”

Os especialistas manifestaram preocupação não só com a equipe do Radio Dario, mas também com a situação de jornalistas, trabalhadores da mídia e defensores dos direitos humanos em outras partes do país.

“Tememos que a situação dos trabalhadores da Radio Dario seja apenas um de muitos casos de repressão na Nicarágua. Nos preocupa que a mídia local possa não denunciar (possíveis problemas) por medo de represálias”, disseram os especialistas.

O comunicado é assinado por Michel Forst (França), relator especial sobre a situação dos defensores dos direitos humanos; David Kaye (Estados Unidos), relator especial sobre a promoção e a proteção do direito à liberdade de expressão e opinião; Clement Nyaletsossi Voule (Togo), relator especial do direito à reunião e associação pacífica; e Agnes Callamard (França), relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias.