Nesta quinta (13), UNESCO apoia concerto em São Paulo com peças compostas em campos de concentração

O espetáculo Tesouros Musicais do Holocausto terá regência do consagrado Maestro Ilya Stupel, da Orquestra Filarmônica de Lemberg, uma das mais importantes do mundo. Encontro musical trará algumas das 2.500 obras encontradas.

Foto: Flickr/Nick Page (CC)

Foto: Flickr/Nick Page (CC)

Parece incrível, mas compositores judeus, em campos de concentração, em guetos, perseguidos, produziram músicas magníficas – muitas delas plenas de esperança e alegria. Por meio de uma ampla pesquisa internacional foram descobertas mais de 2.500 obras de autoria desses compositores. Uma seleção dessas obras faz parte do projeto Tesouros Musicais do Holocausto que será apresentado, em evento aberto ao público nesta quinta-feira (13) em São Paulo.

O concerto – liderado pelo Maestro Ilya Stupel, com a participação do Maestro Ricardo Calderoni – celebra os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Eles regerão a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a mais antiga do Brasil, referência nacional em programas sinfônicos e operísticos.
Preservar a memória do Holocausto e homenagear esses mártires é o objetivo desse espetáculo de orquestra e vozes que chega ao país por intermédio da Brasil Produções, em parceria com a UNESCO no Brasil e com apoio da Embaixada de Israel, do Yad Vashem, da A Hebraica, da Prefeitura de Campinas, da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e da Conferência Israelita do Brasil (CONIB).

Entre as 2.500 obras encontradas, há partituras que foram escondidas por seus autores antes de serem capturados pelos oficiais do governo alemão. “Nas regiões conflagradas foram achados baús de metal com partituras desses compositores. O regente Paul Kletzki (1900 – 1973) foi um dos que usou essa estratégia. Ele perdeu familiares nos campos de concentração e, após a guerra, nunca mais compôs, dedicando-se somente à regência e alcançou fama nos Estados Unidos. Belíssimas, composições dele só foram descobertas após seu falecimento”, explica o maestro Ricardo Calderoni, que também é diretor artístico do projeto.

Neto de sobrevivente do Holocausto, ele relata ainda que muitas das peças, de autoria de grandes artistas, foram encontradas em campos de concentração. Pesquisas realizadas na Itália, Alemanha, Áustria, Polônia e República Tcheca ampliaram a coletânea. “Parte dos compositores não sobreviveu à opressão nazista. Muitos que foram libertados ou escaparam sequer tiveram a oportunidade de rever e executar suas obras. É muito inspiradora a imensa força interior desses artistas: ‘Podem aprisionar nosso corpo, mas nosso espírito viverá sempre em liberdade’”, conclui emocionado.

Ao contrário do que se poderia supor, as obras selecionadas para a apresentação no Brasil não são melancólicas, como antecipa o maestro Stupel. “Ao escrevê-las, os músicos fugiam espiritualmente ao sofrimento e às péssimas condições de vida, criando peças cheias de esperança e alegria”, diz.

De acordo com ele, o valor simbólico das composições aumenta, em especial, porque muitas delas foram escritas sem que os autores tivessem os instrumentos à mão. “Muitos desenvolveram as partituras a partir do conhecimento e da vivência musical anterior ao aprisionamento. E, mesmo assim, as peças são lindas”, completa Stupel, cujo pai e tio, ambos músicos eruditos, estiveram presos em campos de concentração.

Serviço
Tesouros Musicais do Holocausto
Data: 13/11
Local: Clube A Hebraica – Teatro Anne Frank – Rua Hungria, 1000 – Pinheiros
Quanto: De R$ 140,00 a R$ 280,00
Vendas: Bilheteria do clube A Hebraica ou http://www.ingressorapido.com.br