Negociações de paz no Sudão do Sul só terão êxito se diálogo for ‘totalmente inclusivo’, diz ONU

Oito cães da missão das Nações Unidas no Afeganistão chegam ao país para ajudar a deter armas, explosivos e outros objetos contrabandeados. Mais de 700 mil pessoas fugiram de suas casas em todo o país.

Sul-sudaneses deslocados acham abrigo na base da UNMISS em Bor, no estado de Jonglei. Foto: UNMISS/Tina Turyagyenda

Sul-sudaneses deslocados acham abrigo na base da UNMISS em Bor, no estado de Jonglei. Foto: UNMISS/Tina Turyagyenda

O Conselho de Segurança da ONU elogiou a retomada das negociações entre os envolvidos no conflito no Sudão do Sul na terça-feira (11), porém ressaltou que o diálogo só terá êxito se for “totalmente inclusivo”.

Os 15 membros do grupo ainda condenaram as violações do acordo de cessar-fogo assinado no mês passado pelas duas partes na Etiópia.

As negociações entre o governo do país e o Movimento/Exército de Liberação do Povo do Sudão está acontecendo na capital etíope Adis Abeba. O conflito, que começou como uma disputa política entre o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente, Riek Machar, irrompeu em um conflito de grande escala, em meados de dezembro do ano passado.

Ao longo dos últimos dois meses, milhares de pessoas morreram, 707.400 fugiram de suas casas, 145 mil delas para países vizinhos e 75 mil para as bases da Missão da ONU no país (UNMISS).

Quanto à nova rodada de negociações, o Conselho observou que ela deve promover um diálogo político inclusivo e a reconciliação nacional para assegurar a paz duradoura e o Estado de Direito no país “ao abordar as causas subjacentes do conflito e prevenir uma nova escalada de violência entre etnias”.

O grupo também elogiou a libertação de sete dos 11 líderes políticos detidos no dia 29 de janeiro e pediu a libertação imediata dos quatro restantes “para que eles possam se juntar ao governo, aos políticos, à sociedade civil, mulheres, jovens, líderes tradicionais e religiosos para participar do diálogo político e de um processo constitucional revigorado”.

O Conselho condenou fortemente as violações generalizadas dos direitos humanos e do direito humanitário internacional, incluindo “a violência dirigida contra civis e comunidades étnicas e outras específicas”.

Ele também expressou preocupação com a deterioração da situação humanitária e rápida aproximação da estação de chuvas no país, que, combinada com a crise de insegurança alimentar existente para 3,7 milhões de sul-sudaneses, “pode ocasionar em fome e instabilidade regional em 2015”.

Assim, os 15 membros do grupo exigiram que todas as partes envolvidas no conflito parem com atos de violência contra civis, especialmente mulheres e crianças, pedindo agilidade no acesso seguro e irrestrito das organizações humanitárias na entrega de assistência aos necessitados.

O Conselho reiterou o seu apoio constante à UNMISS e desaprovou veementemente todas as ações do governo e da oposição que impedem ou dificultam o trabalho da missão e ameaçam os seus funcionários.

Cães ajudam missão da ONU a identificar objetos suspeitos

Oito labradores e cocker spaniels da Missão da ONU no Afeganistão (UNAMA) chegaram ao Sudão do Sul na quarta-feira (12) para ajudar a UNMISS a identificar armas, explosivos ou outros objetos contrabandeados para áreas ao redor das bases da Organização no país e nos acampamentos para pessoas deslocadas.

Cachorros sul-africanos são os novos ajudantes da Missão da ONU no Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Shantal Persaud e Ghideon Musa

Cachorros sul-africanos são os novos ajudantes da Missão da ONU no Sudão do Sul. Foto: UNMISS/Shantal Persaud e Ghideon Musa

Os cachorros, sul-africanos com uma média de três anos de idade, estão passando por um treinamento com uma equipe do Serviço da ONU de Ação Antiminas (UNMAS) para ficarem a postos nos portões principais das bases da UNMISS, trabalhando ao lado de funcionários do Departamento de Segurança e Salvaguarda e da Polícia das Nações Unidas.

Na semana passada, a UNMAS encontrou explosivos não detonados ao longo da estrada que liga Juba a Bor em Malek.

As bombas representam um perigo em longo prazo para os civis e veículos. A ONU afirmou que está firmemente empenhada em acabar com o uso, armazenamento, produção e transferência de bombas no país.