Não podemos perder ritmo de avanços para paz no Iêmen, alerta enviado especial

A parte difícil de se alcançar um acordo político duradouro no Iêmen “ainda está por vir”, disse o enviado especial das Nações Unidas na quarta-feira (9), pedindo que o Conselho de Segurança apoie a “rápida implementação” do frágil cessar-fogo aceito dentro e nos arredores da crucial cidade portuária de Hodeida em conversas na Suécia no mês passado.

Destacando que o cessar-fogo de 18 de dezembro foi amplamente aderido, o enviado da ONU afirmou que os confrontos agora estão “muito limitados” em comparação a períodos anteriores, que ameaçaram as vidas de centenas de milhares de civis.

“Esta calma relativa, acredito, indica o benefício tangível do Acordo de Estocolmo para o povo iemenita e o contínuo compromisso das partes em fazer o acordo funcionar”, declarou.

Martin Griffiths (na tela), enviado especial da ONU para o Iêmen, fala ao Conselho de Segurança sobre a situação no país, em 9 de janeiro de 2019. Foto: ONU/Loey Felipe

Martin Griffiths (na tela), enviado especial da ONU para o Iêmen, fala ao Conselho de Segurança sobre a situação no país, em 9 de janeiro de 2019. Foto: ONU/Loey Felipe

A parte difícil de se alcançar um acordo político duradouro no Iêmen “ainda está por vir”, disse o enviado especial das Nações Unidas na quarta-feira (9), pedindo que o Conselho de Segurança apoie a “rápida implementação” do frágil cessar-fogo aceito dentro e nos arredores da crucial cidade portuária de Hodeida em conversas na Suécia no mês passado.

O enviado especial da ONU disse a membros do Conselho que não está “sob a ilusão de que estes não sejam dias muito sensíveis e desafiadores” tanto para a coalizão do governo como para os líderes houthis da oposição e para “o Iêmen como um todo”.

Griffiths afirmou ao Conselho que, desde as consultas em Estocolmo, o presidente Abd Rabbo Mansour Hadi e Abdelmalik Al-Houthi, líder do movimento houthi da oposição Ansar Allah, reconheceram os encontros “como um passo importante em direção a uma resolução abrangente para o conflito”, e estavam determinados em seguir em direção a mais diálogos.

Destacando que o cessar-fogo de 18 de dezembro dentro e nos arredores de Hodeida foi amplamente aderido, Griffiths afirmou que confrontos agora estão “muito limitados” em comparação a períodos anteriores, que ameaçaram as vidas de centenas de milhares de civis.

“Esta calma relativa, acredito, indica o benefício tangível do Acordo de Estocolmo para o povo iemenita e o contínuo compromisso das partes em fazer o acordo funcionar”.

O enviado especial creditou a “rápida autorização” da resolução 2451 de dezembro por parte do Conselho e o rápido envio de monitores para o cessar-fogo como “um claro sinal às partes e ao povo iemenita do desejo da comunidade internacional de transformar o acordo em fatos”.

Falando sobre a grande cidade de Taiz, onde os dois lados lutam por controle há mais de três anos, o enviado da ONU relembrou seu “enorme significado histórico” e classificou a população local como uma força cultural e econômica.

“Civis em Taiz sofreram muito por muito tempo e a destruição na cidade tem sido terrível”, destacou. “O fluxo de ajuda humanitária precisa aumentar e as pessoas precisam de chance para a reconstrução”, destacando que as consultas de Estocolmo forneceram uma plataforma para isto.

Sobre o acordo de troca de prisioneiros, Griffiths afirmou que, embora a implementação tenha sido “gradual e experimental”, a ONU está trabalhando com ambas as partes para finalizar as listas que cada uma enviou a Estocolmo e irá seguir com conversas em 14 de janeiro em Amã, Jordânia.

“Espero que estas conversas permitam que muitos milhares de prisioneiros voltem para casa e se reúnam com suas famílias”, disse, pedindo apoio do Conselho para encorajar as partes a “superarem quaisquer desafios que possam ser encontrados ao longo do caminho”.

Griffiths lamentou não ter havido consenso sobre o Banco Central do Iêmen ou sobre a reabertura do aeroporto de Sanaa, que iriam contribuir significativamente à economia e ajudar a aliviar sofrimento humano.

“Continuo trabalhando com as partes para resolvê-los”, afirmou, pedindo para ambos os lados “exercerem restrições em suas retóricas midiáticas”.

Com objetivo de alcançar um acordo político duradouro, o enviado especial afirmou que a “Suécia foi só o começo” e que isto foi importante para manter o ritmo no processo adiante.

Classificando a implementação rápida do cessar-fogo de “crucial”, ele destacou que muito trabalho precisa ser feito “antes que as partes possam alcançar um acordo de paz abrangente”.

“Nós precisamos convocar a próxima rodada, mas nós precisamos de progressos substanciais sobre o que concordamos em Estocolmo”, afirmou. “O progresso alcançado na Suécia é a base para a confiança”.


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