Não há restrições de viagens por causa do surto de zika, afirma OMS

Apesar da rápida propagação do vírus para outros países, não há nenhuma recomendação oficial que restrinja as viagens de turismo ou comercial. Neste momento, surto de microcefalia acontece apenas no Brasil.

Passageiros embarcam para o feriado de carnaval no Aeroporto Santos Dumont. Foto Agência Brasil/Fernando Frazão

Passageiros embarcam para o feriado de carnaval no Aeroporto Santos Dumont. Foto Agência Brasil/Fernando Frazão

O diretor do Departamento de Saúde Materna da Organização Mundial da Saúde (OMS), Anthony Costello, afirmou que não há nenhuma recomendação de viagens ou comércio aos 25 países e territórios atingidos pelo vírus zika.

Em entrevista à Rádio ONU, Costello fez referência às Olimpíadas no Rio de Janeiro, em agosto. Segundo ele, “neste momento não existe qualquer proibição do comitê de emergência a viagens ou comércio”.

Costello afirmou que não há nenhuma recomendação oficial até o momento e “as pessoas que queiram viajar para a região e que possam estar grávidas ou pensando em engravidar, devem considerar o que vão fazer”.

O diretor da OMS explicou que o “zika não é uma infecção que ameaça a vida das pessoas como o HIV ou o ebola”. O problema, segundo ele, são as complicações da doença com a microcefalia, que foi registrada, associada ao zika, apenas no Brasil.

O médico disse que “em 80% das infecções o vírus não produz qualquer sintoma”, citando a possível associação com os registros de microcefalia, ele afirmou que esta é uma condição relativamente rara, com um caso para cada 5 mil nascimentos ou mais.

De acordo com a OMS, o vírus zika se espalha rapidamente e já foi detectado em 25 países, com um aumento de casos de microcefalia principalmente no nordeste do Brasil. O protocolo para o diagnóstico consiste em medir a cabeça do recém-nascido ao menos um dia depois do seu nascimento para ver se é menor que a média. A doença pode ser responsável por uma série de problemas, como convulsões e dificuldade de aprendizado.

Ele afirmou que neste momento há dois desafios a ser tratados. O primeiro é que não há nenhum teste comercial para fazer o diagnóstico. Além disso, os testes atuais apenas identificam o vírus quando ele estiver ativo, durante um período que dura cinco dias, explicou o especialista, adicionando que muitas pessoas podem ter sido expostas ao vírus zika mas não necessariamente saberem se foram infectadas ou não.

“O segundo problema é que a microcefalia não é para nada um diagnóstico simples de ser realizado”, disse. Neste momento, há cerca de 4.200 suspeitas de caso de microcefalia, mas uma proporção significativa desses casos podem ser relacionados a outras causas.

África e Ásia

Costello afirmou que há uma preocupação de o vírus se espalhar para a África e a Ásia, continentes que têm o maior índice de nascimentos no mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disse que o zika já está afetando mais de 20 países nas Américas. A agência da ONU informou que está trabalhando com os governos da região para mobilizar as comunidades, com o objetivo de protegê-las da infecção.

Na segunda-feira (01), as autoridades no Haiti confirmaram 125 casos de infecção no país e advertiram que estas cifras podem ser ainda maiores.

A conselheira para emergências de saúde do UNiCEF, Heather Papowitz, afirmou que “apesar de não haver uma prova concreta sobre uma ligação entre o zika e a microcefalia, há preocupação suficiente para uma ação imediata”.

O UNICEF fez um apelo de 9 milhões de dólares, o equivalente a 36 milhões de reais. O dinheiro vai ser usado em programas para combater a propagação do vírus e mitigar o impacto sobre os recém-nascidos e suas famílias por toda a região das Américas e o Caribe.

(Com informações da Rádio ONU)