‘Não à custa dos direitos humanos’, afirma especialista da ONU sobre medidas de austeridade para a Grécia

Diante da crise da dívida grega, Juan Pablo Bohoslavsky insta instituições internacionais e governo do país a rever decisões sobre reforma e destacou que até entre os credores há dúvidas sobre a viabilidade da execução de pacote de medidas.

No dia 5 de julho, os gregos votaram contra as condições impostas pelos credores internacionais para um novo pacote de ajuda. Foto de arquivo: IRIN/Kristy Siegfried

No dia 5 de julho, os gregos votaram contra as condições impostas pelos credores internacionais para um novo pacote de ajuda. Foto de arquivo: IRIN/Kristy Siegfried

A implementação de novas medidas de austeridade na Grécia, em meio à deterioração da crise econômica do país, não deve pesar nos direitos humanos, advertiu nesta quarta-feira (15) um especialista das Nações Unidas, destacando que já há dúvidas entre os próprios credores sobre a viabilidade da reforma proposta para a Grécia.

O apelo do especialista independente das Nações Unidas sobre a dívida externa e direitos humanos, Juan Pablo Bohoslavsky, vem alguns dias depois que o governo grego e as instituições europeias chegaram a um acordo de resgate exigindo que o país se submeta a reformas substanciais destinadas a reduzir o custo do setor público.

Falando de Adis Abeba, onde participa da Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, o relator da ONU observou que já há fissuras de opinião entre os próprios especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e líderes da zona do Euro.

De fato, na terça-feira (14) o FMI sugeriu que um alívio no endividamento do país poderia ser a melhor opção para deixar a dívida viável. Para Bohoslavisky, esse enfoque permitiria reduzir a “dependência nada saudável das instituições credoras e refletiria o princípio de corresponsabilidade no acúmulo da dívida pública da Grécia”.

“Estou seriamente preocupado com vozes dizendo que a Grécia se encontra em uma crise humanitária com escassez de medicamentos e alimentos”, declarou Bohoslavsky. “A prioridade deve ser garantir que toda a gente na Grécia tenha acesso a níveis mínimos fundamentais dos direitos econômicos, sociais e culturais, incluindo o direito a cuidados de saúde, alimentação e segurança social.”