Nadadora síria Yusra Mardini é nomeada embaixadora da Boa Vontade do ACNUR

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A nadadora olímpica e refugiada síria Yusra Mardini, de 19 anos, foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR). A atleta assumiu o posto honorário nesta quinta-feira (27), em cerimônia em Genebra, onde falou à imprensa sobre seu compromisso com a causa das vítimas de deslocamento forçado.

Yusra Mardini, refugiada síria e nadadora olímpica, é a mais nova embaixadora da Boa Vontade do ACNUR. Imagem: ACNUR

Yusra Mardini, refugiada síria e nadadora olímpica, é a mais nova embaixadora da Boa Vontade do ACNUR. Imagem: ACNUR

A nadadora olímpica e refugiada síria Yusra Mardini, de 19 anos, foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR). A atleta assumiu o posto honorário nesta quinta-feira (27), em cerimônia em Genebra, onde falou à imprensa sobre seu compromisso com a causa das vítimas de deslocamento forçado.

“Estou muito feliz em poder me unir ao ACNUR e muito ansiosa para continuar disseminando a mensagem de que os refugiados são pessoas comuns vivendo circunstâncias devastadoras e traumáticas, e que são capazes de coisas extraordinárias se tiverem oportunidades”, disse a nadadora durante a nomeação.

Desde que foi selecionada para os Jogos Olímpicos Rio 2016, Yusra vem trabalhado junto ao organismo internacional e chamando atenção para crise global de refugiados. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2016, a jovem de 19 anos defendeu o direito dos refugiados ao acesso a moradias seguras, educação, meios de subsistência e oportunidades de capacitação.

Em janeiro de 2017, a atleta representou o ACNUR no Fórum Econômico Mundial, em Davos, sendo a participante mais jovem do evento. Dirigindo-se à uma plateia de dirigentes e gestores políticos e financeiros, Yusra lembrou que o tempo médio que as pessoas vivem na condição de refugiados é de 17 anos. Isso exige dos deslocados muita determinação e agrava a necessidade de dar novas oportunidades de vida para essas pessoas.

Não há razão para termos vergonha de sermos refugiados
se lembrarmos de quem somos. Continuamos sendo os médicos,
engenheiros, advogados, professores que éramos
quando vivíamos em nossos países.

“Com comida em seus estômagos, refugiados podem sobreviver. Mas somente se suas almas estiverem nutridas é que eles terão condições de prosperar”, disse Yusra.

Em 2016, Yusra defendeu a causa do refúgio durante encontros com o Papa Francisco, o ex-presidente norte-americano Barack Obama e outros líderes mundiais, incluindo membros de famílias reais.

“Não há razão para termos vergonha de sermos refugiados se lembrarmos de quem somos. Continuamos sendo os médicos, engenheiros, advogados, professores que éramos quando vivíamos em nossos países. Ainda somos pais, mães, irmãos e irmãs. Foram as guerras e as perseguições que nos forçaram a deixar tudo para trás em busca de paz. Isso é ser um refugiado. É isso que eu sou. É isso que todos nós somos, uma população cada vez maior que não tem um país”, afirmou a jornalistas.

“Eu sou uma refugiada e tenho muito orgulho de ser defensora da paz, da decência, da dignidade para todos aqueles que foram forçados a fugir devido à violência. Junte-se a mim, una-se a essa causa”, acrescentou.

Yusra ficou famosa por ter usado suas habilidades como nadadora para empurrar até a costa a embarcação que a levava até a Europa pelo Mediterrâneo e que estava naufragando. Com a ajuda da irmã, Sarah, ela conseguiu levar o barco até a Grécia e salvar a vida dos cerca de 20 passageiros que as acompanhavam. Alguns deles não sabiam nadar.

Ao dar as boas-vindas a Yusra como embaixadora, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que a atleta “é uma jovem profundamente inspiradora”. “Por meio de sua poderosa história, Yusra representa as esperanças, os medos, e o incrível potencial de mais de 10 milhões de jovens refugiados no mundo”, enfatizou.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (OIT), Thomas Bach, lembrou que a participação da nadadora e de outros refugiados na Rio 2016 mostrou “ao público geral que os refugiados são seres humanos que enriquecem a sociedade”. “Eu espero que ao desempenhar seu papel como embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, Yusra continue inspirando refugiados e nos lembrando que todos podem continuar contribuindo com a sociedade por meio de seus talentos, habilidades e a força do espírito humano”, disse.

“A Agência da ONU para Refugiados realiza um incrível trabalho com os refugiados sob circunstâncias realmente desafiadoras e eu estou orgulhosa em poder usar minha voz para apoiar o ACNUR”, completou Yusra nesta quinta-feira em Genebra.


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