Nações Unidas pedem fim da repressão contra manifestantes no Zimbábue

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) afirmou na sexta-feira (18) que a violência e o suposto uso de munição letal por parte das forças de segurança contra manifestantes, que resultaram em mortes, precisam ser investigados de forma minuciosa e transparente pelo governo do Zimbábue.

“Estamos profundamente preocupados com a crise socioeconômica que está se desdobrando no Zimbábue e a repressão contra protestos em larga escala no país após a decisão do governo de aumentar preços de combustíveis”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani.

"Estamos profundamente preocupados com a crise socioeconômica que está se desdobrando no Zimbábue e a repressão contra protestos em larga escala no país após a decisão do governo de aumentar preços de combustíveis”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani. Foto: ONU/Violaine Martin

“Estamos profundamente preocupados com a crise socioeconômica que está se desdobrando no Zimbábue e a repressão contra protestos em larga escala no país após a decisão do governo de aumentar preços de combustíveis”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani. Foto: ONU/Violaine Martin

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) afirmou na sexta-feira (18) que a violência e o suposto uso de munição letal por parte das forças de segurança contra manifestantes, que resultaram em mortes, precisam ser investigados de forma minuciosa e transparente pelo governo do Zimbábue.

“Estamos profundamente preocupados com a crise socioeconômica que está se desdobrando no Zimbábue e a repressão contra protestos em larga escala no país após a decisão do governo de aumentar preços de combustíveis”, disse a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani.

“Pedimos ao governo para encontrar maneiras de se engajar com a população sobre suas queixas legítimas e para encerrar a repressão contra manifestantes”.

Falando a jornalistas em Genebra em entrevista coletiva, Shamdasani pediu para autoridades garantirem que as forças de segurança do país lidem com protestos e exerçam poder estritamente de acordo com obrigações internacionais de direitos humanos e princípios relevantes.

Estes princípios incluem legalidade, necessidade, proporcionalidade, precaução e responsabilização, explicou, antes de destacar que também houve acusações de “intimidações e assédios generalizados” por parte das forças de segurança, que teriam realizado buscas de porta em porta.

No mês passado, uma comissão nacional nomeada pelo governo do presidente Emmerson Mnanagagwa descobriu o uso de munição letal por parte do Exército durante atos violentos ocorridos após a eleição em agosto. Segundo a comissão, seu uso foi desproporcional e injustificado, destacou Shamdasani.

“O ponto principal é que munição letal foi usada por forças da segurança, força excessiva foi usada”, destacou em relação aos protestos mais recentes. “Nós não temos verificação sobre o número exato de pessoas mortas ou feridas, mas há associações médicas que estão compilando números, provavelmente mais de 60 pessoas foram tratadas em hospitais por ferimentos de tiros. Esta não é a maneira de reagir à manifestação de queixas econômicas da população”.

Em todo o país, mais de 600 pessoas foram presas em manifestações até o momento, de acordo com o ministro da Segurança Nacional do Zimbábue.

Entre os detidos, estão líderes da oposição e ativistas civis proeminentes, disse Shamdasani, antes de pedir rápida libertação de todos os presos por exercerem seus direitos à liberdade de expressão e de associação pacífica.

Relatos de que acesso à Internet teria sido cortado também são preocupantes, acrescentou a porta-voz. “Entendemos que acesso ao WhatsApp e ao Facebook também foram bloqueados em algum momento, acesso à Internet foi derrubado e posteriormente retomado”, disse. “Há relatos de que teria sido derrubado novamente. O governo tem dito que isso é para lidar com a desinformação que está se espalhando nas redes sociais”.

Perguntada sobre a natureza das manifestações, Shamdasani explicou que alguns relatos sugerem que manifestantes haviam queimado pneus e fechado estradas, enquanto outros haviam incendiado prédios e realizado roubos, embora seja difícil identificar os responsáveis.

“Também houve uso de violência por parte de manifestantes, incêndios foram promovidos”, disse. “Lojas e comércios foram saqueados; como sempre, é difícil determinar quem fez isso. Foram oportunistas tirando vantagem do caos? Foram os próprios manifestantes? É muito difícil saber. É muito difícil lidar com uma situação com esta”.