Nações Unidas chamam o setor privado a reunir esforços contra a corrupção

“O setor privado desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento, mas vem ficando para trás do setor público nos esforços para acabar com a corrupção”, apontou o Diretor-Executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, chamando atenção para a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção.

Nações Unidas chamam o setor privado a reunir esforços contra a corrupçãoPor ocasião do Dia Internacional contra a Corrupção, o Diretor-Executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, convoca o setor privado a fazer uso mais efetivo da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção – instrumento legal mais forte e abrangente do mundo para o desenvolvimento de uma cultura de integridade e de combate à corrupção.

A Convenção, que entrou em vigor em dezembro de 2005 e que conta com 148 Estados-Parte, inclui medidas para prevenir e combater a corrupção nos setores privado e público.

Enquanto a corrupção representa uma ameaça à transparência e à conduta íntegra nos negócios, a Convenção pode ajudar as empresas a criar mecanismos de monitoramento e reduzir a quantidade de crimes financeiros como o pagamento de propinas e outros delitos econômicos.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ressalta que a contribuição do setor privado no combate à corrupção é essencial. “A corrupção age como uma carga de despesa escondida que inflaciona os preços e erode a qualidade sem nenhum benefício para produtores ou consumidores. Prevenir a corrupção faz sentido do ponto de vista dos negócios”.

É importante ressaltar que a Convenção inclui diretrizes para o setor privado, que pode fazer parte da solução em vez de ser simplesmente uma vítima da corrupção. “O setor privado desempenha um papel fundamental na promoção do desenvolvimento, mas vem ficando para trás do setor público nos esforços para acabar com a corrupção. No ano passado, vários países intensificaram a aplicação de leis anticorrupção e assistimos a indiciamentos de alto nível de grandes empresas, mas muitos desses casos acabaram em acordos. As empresas foram multadas em bilhões, mas esse dinheiro ficou nos estados nos quais o acordo foi alcançado, não voltou para os países de onde foi roubado. Os perdedores são pessoas comuns. Nós precisamos resolver esse déficit de integridade. Eu convoco o Grupo de Trabalho sobre a Recuperação de Ativos para resolver isto”, explica Fedotov.

O impacto econômico do suborno, por sua vez, não é menos prejudicial. A corrupção representa uma ameaça ao desenvolvimento, debilita a democracia e mina a estabilidade. Distorce mercados, diminui o crescimento econômico e desencoraja investimentos estrangeiros. Erode os serviços públicos e a confiança nos servidores.

Existem todos os incentivos para que o setor privado aja, pois economias mais fortes e sociedades mais prósperas são boas para os negócios. “Cada vez mais, investidores estão considerando não apenas questões ambientais, sociais e de governança em sua tomada de decisões, mas também o desempenho ético”, diz o Secretário-Geral.

O combate à corrupção é hoje um dos princípios do Pacto Global das Nações Unidas – a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo e uma das principais interfaces da Organização com a comunidade empresarial. O UNODC e o Pacto Global da ONU estão ajudando a equipar o setor privado para enfrentar desafios e aprofundar o entendimento da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. A ferramenta anticorrupção de aprendizado eletrônico que as duas agencias lançam, nesta quinta-feira, em Nova Iorque, é um exemplo prático. A ferramenta interativa mostra como os princípios anticorrupção da Convenção e do Pacto Global podem contribuir para a implementação de ações e políticas de integridade corporativa.

O setor privado está dando passos para assegurar transparência. As empresas serão cada vez mais cobradas a provar que elas são responsáveis e confiáveis. Os cidadãos estão acordando para o fato de que a impunidade para casos de corrupção já foi longe demais. A Convenção acabou com as leis de confidencialidade, que não são mais um obstáculo para as investigações de lavagem de dinheiro e a cooperação internacional. Cada vez mais empresas privadas estão estabelecendo programas de ética e integridade para estabelecer as bases para uma força de trabalho confiável.

Mas muito mais ainda precisa ser feito. “Peço aos líderes de negócios em todo o mundo que denunciem a corrupção e cumpram suas palavras com proibições rigorosas à sua prática”, diz o Secretário-Geral. “Eles devem adotar políticas contra a corrupção alinhadas à Convenção das Nações Unidas e pôr em prática os controles necessários para fortalecer a integridade e a transparência”.

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