Nações Unidas ampliam assistência a vítimas do furacão Dorian nas Bahamas

Furacão Dorian visto da Estação Espacial Internacional em 2 de setembro de 2019. Foto: NASA

Novos alertas de destruição nas Bahamas provocada pelo furacão Dorian foram emitidos por agências das Nações Unidas e parceiros na terça-feira (4), que enfatizaram preocupação com a população de duas das principais ilhas caribenhas atingidas.

Em coletiva de imprensa em Genebra, Jens Larke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), disse que as avaliações iniciais da Grand Bahama e das ilhas Ábaco — onde as tempestades tocaram a terra — revelaram uma “catástrofe”.

“Fomos informados de que (o furacão) tocou a terra nas Ilhas Ábaco, cuja população é de cerca de 17 mil pessoas, e estamos preocupados”, disse. “Passou pela Grand Bahama, que abriga cerca de 51 mil pessoas, e estamos preocupados com todas elas”. O primeiro-ministro das Bahamas disse que sete pessoas morreram como resultado do furacão.

Classificado inicialmente como furacão de categoria 5 durante o fim de semana em que atingiu o noroeste das Bahamas com rajadas superiores a 320 km/h, o Dorian foi desde então rebaixado para categoria 2.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o ciclone continua tendo potencial de letalidade independentemente de sua categoria.

Segundo a imprensa internacional, o furacão avança para a costa Leste dos Estados Unidos, com estimativas de que poderá atingir regiões central e Nordeste da Flórida, costa da Geórgia e de Carolina do Sul e do Norte.

Clare Nullis, porta-voz da OMM, afirmou que o furacão “foi o mais forte que já passou nas Bahamas”. “A velocidade máxima dos ventos durante o pico foi de 270 km/h, que é extremamente forte, com rajadas que chegaram a 321 km/h. (…) Os ventos continuam devastadores, a chuva ainda é potencialmente fatal e continua torrencial.”

Confirmando a disseminação dos danos provocados pelos ventos fortes, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR) afirmou que mais de 13 mil casas — cerca de 45% do total de casas nas ilhas — foram danificadas ou destruídas.

“As ilhas Ábaco são mais vulneráveis em termos de necessidade (assistencial)”, disse o porta-voz da FICR, Matthew Cochrane. “Há uma grande comunidade haitiana na ilha que precisará de uma ajuda significativa para se recuperar e reconstruir após esta tempestade. Entre as duas ilhas, cerca de 62 mil pessoas vão precisar de acesso à água potável.”

Milhares vão precisar de apoio

A avaliação inicial realizada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) com a Agência de Gerenciamento de Emergências e Desastres do Caribe (CDEMA, na sigla em inglês) e outros parceiros humanitários indicam que as ilhas Ábaco precisarão de alimentos para mais de 14 mil pessoas e a Grand Bahama para mais de 47 mil pessoas.

Com funcionários especializados no terreno para fornecer apoio em segurança alimentar, emergência em telecomunicações e logística, o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel, disse que eles apoiarão o governo das Bahamas na “rápida análise dos danos provocados pelo furacão e das necessidades prioritárias” nos próximos três dias.

Paralelamente, em resposta à “tempestade sem precedentes”, a representante especial do secretário-geral da ONU para redução de riscos de desastres, Mami Mizurori, manifestou suas condolências à população das Bahamas.

“Este é o quarto ano consecutivo que testemunhamos uma temporada de furacões extremamente devastadora no Atlântico, incluindo furacões de categoria 5 como o Dorian”, disse o porta-voz do Escritório da ONU para Redução de Riscos de Desastres (UNISDR), Denis McClean, lendo comunicado.

“Esses fenômenos não podem ser separados do fato de que esses últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados por conta da continuidade do aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.”