Na República Centro-Africana, ONU investiga violência sectária perto da fronteira com a RD Congo

A crise em Zémio, que tem uma comunidade mista de cristãos e muçulmanos, é o primeiro grande incidente intercomunitário no sudeste do país desde que a crise na RCA começou, em dezembro de 2012.

Pessoas deslocadas internamente pelos recentes conflitos preparam novas casas em um acampamento na cidade de Zémio, na RCA. Foto: OCHA/Lauren Paletta

Pessoas deslocadas internamente pelos recentes conflitos preparam novas casas em um acampamento na cidade de Zémio, na RCA. Foto: OCHA/Lauren Paletta

Uma missão humanitária das Nações Unidas visitou a cidade de Zémio, na República Centro-Africana (RCA), em meio a uma onda de violência que deixou pelo menos 14 pessoas feridas e três mortos, disse nesta segunda-feira (24) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A agência da ONU confirmou que, no último dia 22 de novembro, uma missão composta por membros do OCHA, um representante do ministério de Assuntos Humanitários e um da missão da ONU no país (MINUSCA) visitaram a cidade de Zémio, na fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), para avaliar a situação na sequência de um surto de ataques sectários violentos.

A crise em Zémio, que tem uma comunidade mista de cristãos e muçulmanos, é o primeiro grande incidente intercomunitário no sudeste do país desde que a crise na RCA começou, em dezembro de 2012.

A violência começou após o assassinato de um membro de uma das comunidades no dia 5 de novembro. O assassinato desencadeou ataques de retaliação, incluindo a queima de mais de 30 casas nas aldeias de Barh e Bogou, localizadas a cerca de 40 quilômetros de Zémio. Granadas e armas automáticas foram usadas nos ataques, relatou a ONU. Pelo menos 14 pessoas ficaram feridas, enquanto pelo menos 3 mil pessoas foram deslocadas.

“Apelamos a todas as partes envolvidas para apoiar a coesão social e a convivência pacífica entre as comunidades por meio da revitalização econômica, da reabilitação da infraestrutura e de eventos que promovam a reconciliação”, disse o coordenador humanitário interino da ONU, Kouassi Lazare Etien, após a sua visita a diversos locais onde estão os deslocados internos.

“Trabalhando junto com o governo, a comunidade humanitária continuará a ajudar na criação de meios de subsistência e a encontrar soluções duradouras para as muitas pessoas cujas casas foram destruídas”, acrescentou Etien.

A ONU estima que milhares de pessoas tenham sido mortas na RCA como resultado de um conflito que irrompeu quando rebeldes Séléka, de maioria muçulmana, inciaram uma série de ataques em dezembro de 2012. A cidade de Zémio, no entanto, ainda não havia sido afetada pela violência no país.