Na ONU, Trump defende soberania norte-americana em detrimento de acordos e fóruns globais

Em pronunciamento no debate geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (25) que o país “sempre escolherá a independência” no lugar da governança global.

O chefe do Estado norte-americano disse que não dará apoio nem reconhecimento ao Tribunal Penal Internacional (TPI), responsável por julgar crimes de guerra e genocídio.

Trump também criticou o Conselho de Direitos Humanos, que descreveu como um “grave constrangimento” para as Nações Unidas. O governante reiterou a decisão de não participar do novo pacto da ONU sobre migração.

Presidente norte-americano Donald Trump durante pronunciamento no debate geral da 73ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU/Cia Pak

Presidente norte-americano Donald Trump durante pronunciamento no debate geral da 73ª sessão da Assembleia Geral. Foto: ONU/Cia Pak

Em pronunciamento no debate geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (25) que o país “sempre escolherá a independência” no lugar da governança global. O chefe do Estado norte-americano disse que não dará apoio nem reconhecimento ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Trump também criticou o Conselho de Direitos Humanos, que descreveu como um “grave constrangimento” para as Nações Unidas. O governante reiterou a decisão de não participar do novo pacto da ONU sobre migração.

Sobre a atuação do TPI, criado em 1998 para investigar e punir crimes de guerra, o presidente disse que a corte “não tem legitimidade ou autoridade”. A instituição julgou os envolvidos no genocídio de Ruanda e em atrocidades na antiga Iugoslávia. O organismo avalia a possibilidade de investigar crimes de guerra de oficiais estadunidenses no Afeganistão.

“Nunca vamos entregar a soberania da América a uma burocracia global não eleita, que não presta contas. A América é governada por americanos. Rejeitamos a ideologia do globalismo e abraçamos a doutrina do patriotismo”, acrescentou Trump.

Analisando a resposta de países aos fluxos migratórios no mundo e na América Latina, o chefe de Estado disse que “a única solução de longo prazo para a crise de migração é ajudar as pessoas a construir futuros mais esperançosos em seus países de origem”. A resposta adequada, segundo o dirigente, é “tornar os países (dos migrantes) grandes novamente”, disse, lembrando o mote de sua campanha presidencial e de seu programa de governo.

A América é governada por americanos.
Rejeitamos a ideologia
do globalismo e abraçamos
a doutrina do patriotismo

No mesmo discurso, Trump informou a audiência da Assembleia Geral de que os Estados Unidos já começaram a construção de um muro na fronteira com o México. “Acreditamos que, quando países respeitam os direitos de seus vizinhos e defendem os interesses de seus povos, eles podem trabalhar melhor juntos para proteger as bênçãos da segurança, prosperidade e paz”, afirmou o presidente.

Em comentário sobre a guerra na Síria e a consequente migração forçada de refugiados para países vizinhos, o líder norte-americano ressaltou que “a política mais compreensiva, como vemos na Jordânia, é colocar os refugiados o mais perto possível de suas casas, para facilitar seu eventual retorno para o processo de reconstrução”.

“Reconhecemos o direito de todas as nações nesta sala de definir sua própria política de imigração, em acordo com seus interesses nacionais. Assim como pedimos a outros países que respeitem nosso próprio direito de fazer o mesmo”, ressaltou Trump.

“Essa é uma das razões pelas quais os Estados Unidos não participarão do novo pacto global sobre migração. A migração não deve ser governada por um órgão internacional, que não presta contas aos nossos cidadãos.”

“Os Estados Unidos não vão te dizer como viver ou como trabalhar ou como rezar. Só lhes pedimos que honrem a nossa soberania”, enfatizou o presidente, que afirmou desejar um futuro de “patriotismo, prosperidade e orgulho” para todos os países-membros da ONU.

Comércio internacional

Trump atacou o atual sistema de comércio mundial, ressaltando que mais nenhum país vai “tirar vantagem” dos Estados Unidos. “Por décadas, os Estados Unidos abriram sua economia, a maior até hoje na Terra, com poucas condições. Permitimos que produtos estrangeiros de todo o mundo passassem livremente por nossas fronteiras. No entanto, outros países não nos garantiram em troca o acesso justo e recíproco aos seus mercados”, criticou o presidente.

Segundo o dirigente, o Estado norte-americano perdeu mais de 3 milhões de empregos na indústria e quase 25% dos postos de trabalho na siderurgia, além de fechar 60 mil fábricas — isso teria acontecido desde que a China entrou para a Organização Mundial do Comércio (OMC).

A América nunca vai
pedir desculpas por
proteger seus cidadãos.

Na avaliação do presidente, outros países-membros da OMC violam abertamente os princípios e regras do organismo internacional, praticando dumping, transferências forçadas de tecnologia e roubo de propriedade intelectual, sem, no entanto, serem penalizados.

“Esses dias acabaram. Não vamos mais tolerar tal abuso. Não permitiremos que nossos trabalhadores sejam vítimas, que nossas empresas sejam passadas para trás e que nossa riqueza seja saqueada e transferida. A América nunca vai pedir desculpas por proteger seus cidadãos”, disse Trump.

Coreia do Norte: sanções continuarão até desnuclearização

Sobre a situação na Península Coreana, Trump afirmou que os recentes esforços diplomáticos conseguiram substituir o “espectro de conflito (na região) por um novo e ousado impulso pela paz”.

“Os mísseis e foguetes não estão mais voando em todas as direções. A testagem nuclear foi suspensa. Algumas instalações militares já estão sendo desativadas. Nossos reféns foram soltos”, disse Trump, que agradeceu ao chefe do Estado norte-coreano Kim Jong Un, mas alertou que “muito trabalho ainda precisa ser feito”.

“As sanções continuarão vigentes até que a desnuclearização ocorra”, ressaltou o presidente estadunidense.

Síria: Estados Unidos ‘vão reagir’ a novos ataques químicos

Segundo Trump, a contínua tragédia na Síria é “desoladora”. “Nossos objetivos compartilhados têm de ser a diminuição do conflito militar, junto com uma solução política que honre a vontade do povo sírio. Nessa linha, pedimos com urgência que o processo de paz liderado pela ONU seja revigorado”, afirmou o dirigente.

“Mas, fiquem certos, os Estados Unidos vão reagir se armas químicas forem utilizadas pelo regime de Assad”, completou o presidente norte-americano.

Trump pede isolamento contra o Irã

Trump pediu que os países-membros da ONU isolem o regime do Irã enquanto as lideranças do país continuarem com agressões contra a população, outros países do Oriente Médio e os Estados Unidos. O Estado norte-americano se retirou em maio último do acordo nuclear que previa o fim do programa iraniano de armamentos atômicos e também a eliminação de sanções econômicas contra a nação.

Chamando o governo de Teerã de uma “ditadura corrupta” e acusando seus líderes de buscarem apenas “caos, destruição e morte”, Trump informou que Washington já lançou uma campanha de “pressão econômica”, a fim de evitar que o Irã obtenha recursos para implementar sua “agenda sangrenta”. De acordo com o presidente norte-americano, o país do Oriente Médio é responsável por patrocinar o terrorismo em diferentes países da região e financiar massacres na Síria e no Iêmen.

“No mês passado, começamos a reimpor duras sanções nucleares que haviam sido anuladas pelo acordo do Irã. Novas sanções voltarão a entrar em vigor em 5 de novembro, e mais virão. Estamos trabalhando com países que importam o petróleo bruto iraniano para que cortem substancialmente suas aquisições”, completou Trump.


Comente

comentários