Na ONU, presidente da Ucrânia denuncia expansionismo ‘agressivo’ da Rússia

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Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, usou a maior parte de seu discurso na Assembleia Geral da ONU para condenar a Rússia pela “anexação da Crimeia em 2014”. Em pronunciamento na quarta-feira (26), o chefe de Estado também criticou o apoio russo aos separatistas que lutam no leste da Ucrânia.

Cobrando ação internacional para enfrentar expansionismo, o dirigente ucraniano alertou que a Rússia abusa do poder de veto no Conselho de Segurança — o que permite a continuidade de violações do direito internacional.

Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko, durante discurso na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, usou a maior parte de seu discurso na Assembleia Geral da ONU para condenar a Rússia pela “anexação da Crimeia em 2014”. Em pronunciamento na quarta-feira (26), o chefe de Estado também criticou o apoio russo aos separatistas que lutam no leste da Ucrânia. Dirigente declarou que apenas a ação internacional interromperá as “políticas expansionistas agressivas” de Moscou.

“Enquanto dou meu discurso, relatos trouxeram notícias tristes de mais uma vida perdida nas linhas de frente da guerra infligida ao meu país por um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU”, denunciou o presidente.

Poroshenko culpou os “ataques hostis da Rússia” pelo deslocamento interno de mais de 1,5 milhão de pessoas, assim como pela tortura de cidadãos ucranianos em prisões. Investida russa também foi responsável por deixar crianças da Ucrânia órfãs, segundo o presidente.

“Esta tem sido a realidade diária dos ucranianos há quatro anos”, continuou Poroshenko.

“Milhares de mortes, destruição, deslocamento e sofrimento humano”, que testaram a determinação, solidariedade, resiliência e a fé da Ucrânia, acrescentou o governante.

Segundo o chefe de Estado, sob a ocupação russa, “a Crimeia se transformou em uma fortaleza militar que ameaça a segurança e a estabilidade de toda a região do Mar Negro”. Para Poroshenko, a crescente militarização da Crimeia merece a atenção da Assembleia e “reação imediata”.

O presidente ressaltou que a Rússia pune a Ucrânia por tomar uma decisão soberana de viver em um mundo livre, baseado em valores democráticos.

“A ONU não deve se silenciar quando os valores e princípios enraizados em sua Carta e em todo o direito internacional estão sendo violados por um país com poder de veto”, argumentou, descrevendo o poder de ação da ONU como “não apenas um desafio”, mas também uma chance de tornar a Organização relevante.

A Rússia é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e tem poder de veto para bloquear qualquer resolução proposta no organismo decisório.

De acordo com Poroshenko, os desdobramentos internacionais ao longo da última década “minaram seriamente” o respeito pela paz e pelo direito internacional. O presidente ressaltou ainda que manter o silêncio quando as normas internacionais são violadas acabou por incentivar políticas destrutivas contínuas.

“Deixe-me ser claro sobre este ponto”, disse ele à Assembleia, “nada vai impedir Moscou de continuar suas políticas expansionistas agressivas a não ser uma posição unida da comunidade internacional”.

Poroshenko defendeu a reforma do Conselho de Segurança como “uma contribuição importante para a mudança em andamento na ONU”, dizendo que “o abuso do direito de veto é um freio que muitas vezes não permite que nossa Organização realmente atue”.


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