Na ONU, líderes africanos pedem comprometimento no combate ao terrorismo e desastres climáticos

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Grande parte dos deslocamentos forçados na África têm duas razões principais: ataques de grupos extremistas e problemas causados pelo clima. Destacando os perigos colocados pelo terrorismo na região subsaariana e pela falta de comprometimento com os acordos climáticos, líderes africanos subiram palanque da Assembleia Geral das Nações Unidas pedindo maiores recursos e atenção da comunidade internacional para o continente.

Assembleia Geral da ONU. Foto: Mark Garten/ONU (arquivo)

Assembleia Geral da ONU. Foto: Mark Garten/ONU (arquivo)

Grande parte dos deslocamentos forçados na África têm duas razões principais: ataques de grupos extremistas e problemas causados pelo clima. Destacando os perigos colocados pelo terrorismo na região subsaariana e pela falta de comprometimento com os acordos climáticos, líderes africanos subiram palanque da Assembleia Geral das Nações Unidas pedindo maiores recursos e atenção da comunidade internacional para o continente.

Combate ao extremismo

Citando a contínua deterioração da situação de segurança no Sahel, região da África subsaariana, líderes regionais pediram maiores recursos ao Grupo dos Cinco (G5) – Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. A ação é uma força conjunta para combater a ameaça do terrorismo, bem como os desafios colocados pelo crime organizado transnacional na região africana de Sahel.

Chade

“O apoio da comunidade internacional e da nossa Organização é indispensável”, disse o ministro das Relações Exteriores de Chade, Hissein Brahim Taha.

Além dos ataques cometidos pelo Boko Haram, Taha também destacou uma série de outras preocupações regionais, incluindo as mudanças climáticas e a seca no Lago Chade, do qual 50 milhões de pessoas dependem para seus meios de subsistência, contribuindo para a enorme crise migratória.

Níger

O Níger manifestou sua preocupação com a falta de apoio internacional para o G5 de Sahel. “O que está em jogo em Sahel é uma batalha não só para a paz e a segurança regionais, mas também para a paz e a segurança internacionais”, disse o ministro das Relações Exteriores, Ibrahim Yacoubou, em seu discurso.

Observando para as principais ameaças que o Níger enfrenta atualmente, ele citou a situação na Líbia, onde terroristas e traficantes de armas atuam livremente, a batalha contra Boko Haram na área do Lago Chade e a luta contra grupos armados no norte do Mali.

Burkina Faso

“Devido à gravidade da situação, devemos aproveitar o relatório de acompanhamento do secretário-geral para reforçar o mandato da força multinacional conjunta, fornecendo-lhe os recursos necessários para ter sucesso em sua missão”, disse o presidente da Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré.

“Um dos principais desafios é a mobilização de recursos”, disse ele, observando que as regiões do norte de seu próprio país e do vizinho Mali foram afetados pelo terrorismo. Para o líder, é necessário um programa de investimento urgente para diminuir a vulnerabilidade da população, especialmente mulheres e jovens.

“A luta contra o terrorismo só pode ser bem0-sucedida se for baseada não apenas em uma abordagem sub-regional, mas também na dinâmica do desenvolvimento econômico para as áreas mais vulneráveis”, explicou.

Gabão

Em seu discurso, o presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, elogiou o estabelecimento da força do Sahel G5. “Trata-se de uma batalha multidimensional a longo prazo que exige cooperação de muitos Estados e solidariedade com as vítimas das atrocidades”, afirmou à Assembleia.

O seu próprio país faz parte de uma iniciativa sub-regional antiterrorista dos Estados da África Central “para combater a hidra terrorista em todas as suas formas e qualquer que seja sua motivação”.

Ele enfatizou que uma resposta militar deveria ser acompanhada por outras medidas, incluindo medidas para reduzir os fundos que circulam para organizações criminosas.

Comores

O presidente dos Comores, Azali Assoumani, chamou o terrorismo de “negação absoluta do que é humano. É um flagelo que condenamos e devemos lutar juntos em escala planetária, sem piedade e com todas as nossas forças”.

Ele destacou que não há terrorismo islâmico, assim como não há terrorismo cristão ou judaico. “Os terroristas são simplesmente bárbaros”, ressaltou.

“Condenamos sem reservas as atrocidades perpetradas contra minorias e comunidades, ontem na Bósnia e Herzegóvina e hoje na Birmânia (Mianmar) contra o rohingya e outras minorias onde quer que estejam. A vitimização desumana e selvagem é ainda mais chocante na medida em que é violência extrema é dirigida para a limpeza étnica de quem tem os menores recursos.”

Guiné Equatorial

O presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, disse que seu próprio país sofre com o terrorismo e pirataria. Para ele, os ataques buscam minar seu “sistema de governo pacífico e democrático, interromper a paz e causar revolta em benefício dos aventureiros que buscam fortunas”.

“Todos esses fenômenos tornam necessário despertar uma maior consciência entre as nações e promover uma cooperação interestatal mais direta e realizar uma ação dinâmica e coordenada de todas as nações em solidariedade”, declarou.

Desastres climáticos

Observando a recente onda de furacões devastadores, os líderes africanos – desde pequenos Estados insulares até grandes países sem litoral – discursaram na Assembleia Geral da ONU pedindo medidas urgentes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Seicheles

“Os pensamentos do governo e do povo de Seicheles vão para milhões de pessoas no sul da Ásia, na África, nos Estados Unidos e no México, e nos nossos irmãos insulares no Caribe que sofreram perdas inimagináveis de inundações, furacões e outros formas de clima extremo nos últimos meses”, afirmou o presidente das Seicheles, Danny Faure, no debate da Assembleia Geral.

O líder pediu também uma abordagem inclusiva para intensificar a implementação do Acordo de Paris sobre a limitação das emissões de gases com efeito de estufa.

Botsuana

O vice-presidente Mokgweetsi Eric Masisi, de Botsuana, apelou aos Estados Unidos para que voltem a considerar sua decisão de se retirar do acordo de Paris. “Como vocês sabem, o desafio das mudanças climáticas requer ação coletiva, pois nenhum país pode enfrentar este desafio por conta própria”, afirmou.

“É como se os recentes furacões e seus efeitos desastrosos mostrassem ao governo norte-americano que a mudança climática é real”, acrescentou, enfatizando que os impactos adversos da mudança climática prejudicam a capacidade de todos os países a alcançar o desenvolvimento sustentável.

São Tomé e Príncipe

O presidente de São Tomé e Príncipe, Evaristo do Espírito Santo Carvalho, lamentou que o financiamento de medidas que atenuem as mudanças climáticas não tenha o apoio da comunidade internacional.

“Os acordos de cooperação devem ser estabelecidos com financiamento ambicioso para questões climáticas, bem como garantir uma transferência efetiva e eficiente de tecnologia pelos países mais desenvolvidos”, afirmou.

“Combater o fenômeno das mudanças climáticas pode ser o objetivo mais complexo para o qual toda a humanidade é chamada a intervir. O sucesso desta luta é talvez o maior legado que podemos deixar às gerações futuras ”

Maurícia

O primeiro-ministro de Maurícia, Pravind Kumar Jugnauth, disse que abordar as mudanças climáticas é fundamental para implementar com sucesso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Tal preocupação busca eliminar uma série de males sociais, incluindo a fome, pobreza e a falta de acesso à educação e saúde.

“Com o crescente número e intensidade de desastres relacionados ao clima – tempestades, secas, inundações instantâneas, para citar apenas alguns –, seria ingênuo da nossa parte para descartar a mudança climática”, disse ele.

Mitigar os efeitos das mudanças climáticas exigirá esforços e recursos substanciais, especialmente para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento. “Embora recebemos as generosas promessas feitas até agora, incluindo a criação do Fundo Verde para o Clima, precisamos racionalizar e simplificar os procedimentos para que esses Estados acessem esses fundos, especialmente à luz dos recentes eventos.”

Guiné-Bissau

Para o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, as ameaças das mudanças climáticas possuem “uma escala planetária com perspectivas de consequências assustadoras e não improváveis”.

Sobre a situação em seu próprio país, que teve um passado problemático, ele disse: “Continuamos a experimentar um período de desafios institucionais. São desafios relacionados ao funcionamento de algumas de nossas principais instituições políticas, como o parlamento e o governo”.

Togo

O primeiro-ministro do Togo, Selom Komi Klassou, ressaltou a necessidade de cumprir o acordo de Paris, bem como os ODS.

“Os desafios que o nosso mundo enfrenta têm um impacto real no desenvolvimento da África”, afirmou. “E um dos imperativos, para enfrentá-lo efetivamente, continua sendo a transformação econômica do continente”.

“Percebemos que essa transformação depende, em primeiro lugar, da responsabilidade da elite africana, mas a solidariedade internacional também é pré-requisito”, acrescentou o líder. “O investimento precisa ser ampliado nos campos da ciência, indústria, agricultura e alta tecnologia.”


Comente

comentários