Na ONU, Canadá reconhece que país falhou historicamente em proteger direitos dos indígenas

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reconheceu na quinta-feira (21) que governos sucessivos de seu país foram incapazes de respeitar os direitos dos indígenas. Para muitos integrantes dos povos originários, abusos persistem até hoje, afirmou o dirigente. Segundo Trudeau, erros históricos e um legado negativo do colonialismo privaram o Canadá das contribuições que essas populações poderiam ter dado para o desenvolvimento da nação.

Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. Foto: ONU/Cia Pak

Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. Foto: ONU/Cia Pak

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reconheceu na quinta-feira (21) que governos sucessivos de seu país foram incapazes de respeitar os direitos dos indígenas. Para muitos integrantes dos povos originários, abusos persistem até hoje, afirmou o dirigente. Segundo Trudeau, erros históricos e um legado negativo do colonialismo privaram o Canadá das contribuições que essas populações poderiam ter dado para o desenvolvimento da nação.

“Somos um país que é construído com diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes línguas, todas se unindo. Essa diversidade se tornou nossa grande força. Mas isso não é e nem sempre foi verdade para todos os que compartilham nossa terra”, disse Trudeau.

O primeiro-ministro ressaltou que o Canadá foi erigido sobre as terras ancestrais de pessoas que já moravam lá. “Mas lamentavelmente, é também um país que nasceu sem a participação significativa dos que estavam lá primeiro.”

O chefe de Estado lembrou que, longe de celebrar as diferenças, as primeiras relações coloniais com os povos originários levaram a situações de “humilhação, negligência e abuso”.

“A incapacidade dos sucessivos governos canadenses em respeitar os direitos dos Povos Autóctones nos causa muita vergonha”, frisou Trudeau, que descreveu muitos dos desafios atuais como causados pelo colonialismo.

Em reservas canadenses, muitas crianças indígenas não têm acesso a água potável nem saneamento. A taxa de suicídio entre os jovens ainda é um problema. A disponibilidade da educação de qualidade muitas vezes leva meninos, meninas e adolescentes a se mudar para longe de suas famílias para estudar.

Trudeau lembrou ainda que ameaças de violência entre as mulheres indígenas são tão frequentes e severas que a Anistia Internacional descreveu a conjuntura como uma “crise de direitos humanos”. “Esse é o legado do colonialismo” e de medidas como a remoção forçada dos povos de suas terras e a supressão da cultura e da língua das tribos do país, frisou o governante.

Apesar dos erros passados, o primeiro-ministro mostrou otimismo com o presente e enfatizou que tem empreendido esforços para reverter o cenário de desigualdades. Junto à ONU, o Canadá mudou no ano passado sua posição quanto à Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, passando a apoiar plenamente o documento.

“Estamos trabalhando bem perto dos povos indígenas no Canadá para melhor responder às suas prioridades, entender como eles veem e definem a autodeterminação e apoiar seu trabalho de reconstrução da nação”, explicou Trudeau, que citou iniciativas para resgatar as línguas faladas pelos Métis, Inuits e integrantes dos chamados First Nations, bem como para levar saneamento básico e qualidade de vida para essas populações.

Segundo Trudeau, estratégias estão em acordo com o previsto pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.


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