Na ONU, Alemanha critica posturas nacionalistas e pede mais cooperação entre países

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Mass, criticou ações de outros governos “baseadas tão somente no nacionalismo, com o objetivo de ‘colocar o meu país primeiro'”. O representante do Estado alemão lembrou que problemas globais, como as mudanças climáticas, pedem soluções multilaterais. Dirigente também cobrou reforma do Conselho de Segurança.

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Mass, durante debate da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Manuel Elias

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Mass, durante debate da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Manuel Elias

Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Mass, criticou ações de outros governos “baseadas tão somente no nacionalismo, com o objetivo de ‘colocar o meu país primeiro'”. O representante do Estado alemão lembrou que problemas globais, como as mudanças climáticas, pedem soluções multilaterais. Dirigente também cobrou reforma do Conselho de Segurança.

“A Europa provou para o mundo que o multilateralismo e a soberania não são termos em contradição”, argumentou o dirigente na última sexta-feira (28), lembrando o histórico de aproximação dos países europeus ao longo da segunda metade do século XX.

Mass, porém, reconheceu que o mundo vive atualmente uma crise do multilateralismo, com a guerra na Síria, o deslocamento recorde de pessoas forçadas a deixar seus países de origem, as tensões na Península Coreana e os conflitos no Oriente Médio. “Esses conflitos diferentes revelam um quadro mais amplo e um padrão peculiar.”

Segundo o ministro, a descrença nas instituições internacionais e na diplomacia faz com que todos esses problemas “pareçam insolúveis”. Mas há motivos para ter otimismo e renovar as instâncias multilaterais. Mass lembrou que esforços de negociação recentes impediram mais uma escalada de violência em território sírio, na província de Idlib.

A soberania só pode ser preservada “se trabalharmos juntos”, defendeu o dirigente alemão.

Mass enfatizou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, a fim de tornar o organismo mais representativo e inclusivo.

“A população mundial mais do que triplicou desde 1945, enquanto o número de Estados-membros da ONU quase quadruplicou”, ressaltou o ministro. “Contudo, o Conselho de Segurança quase não mudou.”

O representante de Angela Merkel também disse que a “ONU do século XXI” deve enfrentar as raízes dos conflitos armados, que incluem as mudanças climáticas.

“Ações baseadas tão somente no nacionalismo, com o objetivo de ‘colocar o meu país primeiro’, atingem seus limites aqui, sobretudo porque nosso clima não reconhece fronteiras”, disse Mass.

O ministro lembrou que a União Europeia e a Alemanha apoiam o Acordo de Paris. Em sua avaliação, o Conselho de Segurança deveria prestar mais atenção “aos efeitos devastadores que as mudanças climáticas podem ter sobre a segurança e a estabilidade de países e regiões inteiros”.

“A ONU se baseia na coragem para alcançar compromissos”, acrescentou Mass. “O desejo por paz e segurança e o sonho de uma vida digna e próspera são coisas que todas as pessoas compartilham — seja vivendo em Bagdá, Berlim ou Bamako.”


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