Na ONU, aclamada atriz Geena Davis critica mídia por retratar as mulheres negativamente

Reconhecida por interpretar mulheres fortes, a atriz elogiou o trabalho da ONU e de outras organizações que visam promover o desenvolvimento econômico e reduzir a violência contra as mulheres e declarou que não quer “vê-lo prejudicado por uma cultura de hiper-sexualização e estereótipos das mulheres na mídia”.

Geena Davis. Foto: ONUCom papeis inovadores em filmes como Thelma e Louise e Uma equipe muito especial (A League of Their Own, no original), a atriz vencedora do Oscar Geena Davis não é novata na interpretação de mulheres fortes na tela.

Atrás das câmeras, Geena vem lutando apaixonadamente para assegurar que mulheres e meninas sejam retratadas com precisão na mídia, alertando que a hiper-sexualização e outros retratos negativos poderiam reverter os progressos duramente conquistados na realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), as oito metas que líderes globais comprometaram-se a cumprir até 2015.

Geena reconheceu o trabalho da ONU e de outras organizações que visam promover o desenvolvimento econômico e reduzir a violência contra as mulheres e declarou ao Centro de Notícias da ONU que não quer “vê-lo prejudicado por uma cultura de hiper-sexualização e estereótipos das mulheres na mídia”.

“Vamos frear os progressos se não cuidarmos da imagem da mulher. Como atriz, eu tive a sorte de estar em alguns filmes que tiveram repercussão em especial entre as mulheres, e realmente foi uma lição para mim em relação ao poder das imagens da mídia”, disse Davis, que na última segunda-feira (28) discursou na abertura do evento anual do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), segmento de alto nível da ONU, que concentra-se este ano no fortalecimento de mulheres e meninas.

Cerca de seis anos atrás, enquanto assistia a programas de televisão e filmes para crianças com sua filha – então com dois anos de idade – ela notou uma acentuada disparidade na representação de homens e mulheres. “Eu acho isso perturbador, porque significa que nós estamos educando meninos e meninas, geração após geração, a se acostumarem com a ideia de que meninas possuem uma posição mais baixa na nossa sociedade, que elas são menos importantes, que suas histórias são menos interessantes”, ressaltou.

Por mais de meio século, a proporção de mulheres para personagens masculinos tem se mantido constante em 1:3, disse Davis. Como resultado, muitas pessoas não percebem ou se questionam acerca da escassez de mulheres em filmes e programas de TV. Sua organização de pesquisa realizou uma análise em larga escala de filmes e programas de TV dirigidos a crianças com menos de 11 anos, concluindo que entre 1990 e 2005 não houve melhora na proporção de mulheres para personagens em relação aos homens. “Não é algo que está melhorando”, disse a atriz, apesar de casos isolados de personagens femininas populares, como Dora, a aventureira. “A tendência geral é que as coisas permaneçam como estão”.

Além disso, mãe de dois meninos, ela disse que chama a atenção para como as mulheres e meninas são retratadas na programação das TVs, perguntando a seus filhos porque eles acham que certos personagens são meninas e não meninos. “Está chegando ao ponto agora em que, ocasionalmente, vou me inclinar para perguntar Ei, você notou?“, disse Davis, lembrando das conversas com a filha, agora com oito anos, enquanto assistiam TV e filmes. “É, não há meninas suficientes”, responde a filha. “Ela tem sido muito bem educada”, Davis observou, rindo.