Na Nigéria, agências da ONU trabalham para estabelecer espaço seguro para meninas estudantes

Apoio psicossocial, formação de líderes religiosos e capacitação de homens e meninos são algumas das ações de preparação em Chibok para receber as 200 meninas sequestradas em abril.

Estudantes de uma escola da Nigéria que oferece educação gratuita para órfãos e crianças vulneráveis. Foto: IRIN/Obinna Anyadike

Estudantes de uma escola da Nigéria que oferece educação gratuita para órfãos e crianças vulneráveis. Foto: IRIN/Obinna Anyadike

A representante do Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA) na Nigéria, Rati Ndhlovu, disse nesta quarta-feira (20) que restaurar a dignidade e a integridade de alunas sequestradas pelos militantes do Boko Haram em Chibok após sua liberação é fundamental para reintegrar as meninas a um espaço seguro na sociedade.

Cerca de 200 meninas foram sequestrados por militantes do Boko Haram dentro da escola que frequentavam no último 14 de abril. Apesar dos esforços do governo nigeriano e os protestos internacionais, a maioria das meninas continua desaparecida. Outras que conseguiram fugir enfrentaram a “dupla tragédia” ao serem estupradas no seu caminho de volta para casa por homens que se aproveitaram da sua situação de vulnerabilidade.

Ndhlovu relatou que inicialmente as meninas se recusam “a ouvir falar de ou voltar para a escola” pelas trauma que o local do sequestro provocava. No entanto, após participar do programa psicossocial, elas se sentiram preparadas para voltar a frequentar as aulas.

De acordo com relatos da mídia, o grupo armado Boko Haram continua a crescer, sequestrando os moradores e forçando-os a se juntar à insurgência. Além do recrutamento forçado, a violência tem gerado deslocamentos e o fechamento da maioria das clínicas de saúde em Chibok.

Dentro desse contexto, o UNFPA, junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), está se preparando para atender as meninas raptadas depois de sua liberação, através da criação de clínicas, oferta de exames de saúde e distribuição de “kits de dignidade”, com produtos de higiene e outros itens básicos.

Além disso, a UNFPA trabalha com as comunidades temas sobre planejamento familiar e reintegração das meninas ao dia a dia local. A agência organizou palestras informativas com as meninas sobre gravidez saudável e as complicações geradas ao engravidar durante um período de insegurança onde “quase nunca podem dormir na sua própria casa e estão fugindo o tempo todo”.

Os líderes religiosos tradicionais também estão sendo treinados para abordar outras questões dentro da comunidade como, por exemplo, evitar o estigma e a rejeição às meninas sequestradas. A capacitação se estendeu ainda aos homens e meninos que aprenderam sobre a importância de criar um espaço seguro para as estudantes e garantir que elas não sejam abusadas.