Na Assembleia Geral da ONU, vice-primeiro-ministro sírio diz que guerra no país é contra o terror

Walid Al-Moualem afirmou que ramificações da Al-Quaeda estão na Síria e países do ocidente têm que parar de armar os rebeldes para que a paz seja estabelecida.

Vice-primeiro-ministro do país, Walid Al- Moualem, na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Vice-primeiro-ministro do país, Walid Al- Moualem, na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

“Não há guerra civil na Síria, mas uma guerra contra o terror, que não reconhece valor, nem justiça e igualdade e ignora quaisquer direitos ou leis”, afirmou o vice-primeiro-ministro do país, Walid Al- Moualem, nesta segunda-feira (30) no debate da Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Confrontar este terror no meu país exige que a comunidade internacional aja em conformidade com as resoluções relevantes no combate ao terrorismo”, disse Al-Moualem, acrescentando que os países devem “tomar as medidas necessárias para obrigar aqueles que financiam, armam, treinam e fornecem refúgio e passagem para terroristas vindos de diferentes lugares do mundo a parar com esse apoio”.

O vice-primeiro-ministro sírio ressaltou que o grupo terrorista Al-Qaeda e suas ramificações, como a Jabhat A1-Nusrah, o Estado Islâmico do Iraque e o Levante, a Brigada do Islã e muitos outros estão lutando na Síria.

Ele acrescentou que muitos países não querem reconhecer esse fato, apesar das cenas de assassinato e homicídio mostradas na TV.

“Na Síria há assassinos que desmembram corpos humanos em pedaços enquanto a pessoa ainda está viva e enviam seus membros para suas famílias só porque o cidadão estava defendendo uma Síria unificada e secular”, relatou.

Sobre o uso de armas químicas no país, fato que uma equipe da ONU confirmou e que o Conselho de Segurança da organização exigiu que fosse eliminado, Al-Moualem disse que foi a própria Síria que solicitou primeiramente uma investigação sobre o uso de gases venenosos há muitos meses.

Ele assegurou à Assembleia Geral da ONU o total comprometimento de seu país com suas obrigações com a Convenção para a Proibição de Armas Químicas. Além disso, ele pediu a criação de uma zona livre de todas as armas de destruição em massa no Oriente Médio.

“No entanto”, acrescentou, resta a questão de “se aqueles que estão fornecendo aos terroristas esses tipos de armas vão respeitar os seus compromissos legais, uma vez que os terroristas que usaram gases venenosos no meu país receberam agentes químicos de países regionais e ocidentais que são bem conhecidos de todos nós”.

Afirmando o desejo de seu governo para uma solução política para o conflito, ele pediu a realização da conferência de paz de Genebra para que, juntos, os sírios possam determinar o futuro do país.

Chefe da ONU pede que grupos de oposição síria mandem delegação unida para conferência de paz

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu no sábado (28) com o presidente da Coalizão Nacional para as forças de oposição síria, Ahmad al-Jarba, e pediu que o grupo se comunique com outros membros da oposição para que eles mandem uma delegação unida para a conferência de paz, que deve ser realizada em meados de novembro deste ano.

Durante o encontro em Nova York, Ban enfatizou a importância de um diálogo sério para acabar com o conflito que já dura três anos na Síria.

Ele também ressaltou a necessidade de responsabilizar os culpados pelos crimes de guerra que estão acontecendo no país.

Na reunião com al-Jarba, Ban destacou o sofrimento do povo sírio como resultado do conflito e as dificuldades enfrentadas pelos países vizinhos ao acolher os refugiados da Síria.

O conflito, que começou em março de 2011, já custou mais de 100 mil vidas e fez com que mais de 2 milhões de pessoas fugissem para países vizinhos e 4 milhões ficassem deslocados no interior do país.