Na Assembleia Geral da ONU, Guterres pede união dos países pela paz

Em seu discurso para a reunião anual de líderes mundiais na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou nesta terça-feira (19) as diversas ameaças — incluindo o perigo nuclear, a mudança climática e os conflitos em andamento — que precisam ser superadas para criar um mundo melhor para todos.

Guterres disse que a migração segura não pode ser limitada a uma elite global, e enfatizou a necessidade de se fazer mais para enfrentar seus desafios. Refugiados, pessoas deslocadas internamente e migrantes não são o problema, e sim os conflitos, as perseguições e a pobreza, declarou. Diante desse cenário, disse Guterres, a ONU lançou iniciativas de reforma da própria Organização.

Em seu discurso para a reunião anual de líderes mundiais na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou nesta terça-feira (19) as diversas ameaças — incluindo o perigo nuclear, a mudança climática e os conflitos em andamento — que precisam ser superadas para criar um mundo melhor para todos.

“Somos um mundo em pedaços. Precisamos nos tornar um mundo de paz”, disse Guterres ao apresentar seu relatório anual sobre o trabalho da Organização antes do debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, no qual chefes de Estado e de governo e outros representantes de alto nível do mundo todo discutem importantes questões globais.

Segundo Guterres, o mundo está vendo o crescimento da insegurança, da desigualdade, da disseminação dos conflitos, da mudança climática, enquanto as sociedades estão se fragmentando e o discurso político, tornando-se polarizado.

O chefe da ONU afirmou que as ansiedades globais sobre as armas nucleares estão em seu mais alto nível desde o fim da Guerra Fria, devido a testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. “A solução precisa ser política. É hora de estadismo. Não devemos caminhar para a guerra”, alertou, completando que conversas enérgicas podem levar a desentendimentos fatais.

Sobre terrorismo, o secretário-geral enfatizou a necessidade de enfrentar as causas da radicalização. “Não é suficiente combater terroristas no campo de batalha”, disse.

Enfatizando a necessidade de um “crescimento da diplomacia hoje” e “um salto na prevenção de conflitos para o amanhã”, ele disse que é possível se mover da guerra para a paz, da ditadura para a democracia. Segundo Guterres, apenas soluções políticas podem levar paz para conflitos não resolvidos em Síria, Iêmen, Sudão do Sul, Sahel, Afeganistão e em outros lugares. O chefe da ONU anunciou, nesse sentido, a criação de um conselho consultivo de alto nível para a mediação de conflitos.

Sobre Mianmar, Guterres afirmou que as autoridades do país asiático precisam acabar com as operações militares no estado de Rakhine, permitir acesso de equipes humanitárias e resolver as queixas dos muçulmanos Rohingya, que não têm status de cidadãos.

Ele citou as declarações feitas nesta terça-feira (19) pela líder de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, segundo as quais ela tem intenção de implementar o mais rápido possível as recomendações de uma comissão consultiva liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Sobre o conflito entre Israel e Palestina, Guterres afirmou que a solução de dois Estados permanece como o único caminho adiante.

Ao tratar das mudanças climáticas, pediu que aos governos a implementação ambiciosa do histórico Acordo de Paris para o clima. “Não devemos relacionar qualquer evento climático único à mudança climática. Mas os cientistas estão certos de que tais eventos climáticos extremos são precisamente o que seus modelos previram que seriam o novo normal de um mundo em aquecimento”, disse, lembrando que termos como “mega furacões”, “super tempestades” foram adicionados ao vocabulário para descrever os eventos recentes.

Enquanto lembrou que a globalização e os avanços tecnológicos trouxeram benefícios desiguais, ele também enfatizou o lado ruim da inovação, como as ameaças de cibersegurança assim como as possíveis implicações negativas da inteligência artificial e da engenharia genética.

Por último, Guterres disse que a migração segura não pode ser limitada a uma elite global, e enfatizou a necessidade de se fazer mais para enfrentar seus desafios. Refugiados, pessoas deslocadas internamente e migrantes não são o problema, e sim os conflitos, as perseguições e a pobreza. Para enfrentar esses desafios, disse Guterres, a ONU lançou iniciativas de reforma da própria Organização.

Diante do auditório lotado da Assembleia Geral, Guterres afirmou que da ONU é necessária, e que o “multilateralismo é mais importante do que nunca” quando há conflito de interesses e conflitos abertos. “Nos denominamos comunidade internacional; precisamos agir como uma”, concluiu.

(Foto de capa do vídeo: ONU/Cia Pak)


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