Na Assembleia Geral da ONU, Celso Amorim fala sobre a reforma do Conselho de Segurança

Em um momento em que o mundo enfrenta múltiplas crises, as Nações Unidas devem estar no centro do multilateralismo, afirmou hoje (23) o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, na abertura do Debate Geral anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Em um momento em que o mundo enfrenta múltiplas crises, as Nações Unidas devem estar no centro do multilateralismo, afirmou hoje (23) o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, na abertura do Debate Geral anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

De acordo com Amorim, existe uma necessidade urgente de “redefinir as regras que organizam as relações internacionais”, como resultado da insegurança alimentar, mudança climática e outros enormes desafios. “Como o Presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] tem afirmado muitas vezes, o multilateralismo é a face internacional da democracia”, disse ele. “E a ONU deve estar no centro da tomada de decisão na política internacional”.

Porém. Amorim salientou que a reforma da governança global ainda não chegou ao campo da paz e da segurança internacionais. “Nas áreas econômica e ambiental, as nações mais ricas já compreenderam que não podem avançar sem a cooperação dos países emergentes. Quando se trata de guerra e paz, no entanto, os atores tradicionais são relutantes em compartilhar o poder”.

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, na abertura do Debate Geral anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 23/09/2010. Foto: ONU/Rick Bajornas.

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, na abertura do Debate Geral anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 23/09/2010. Foto: ONU/Rick Bajornas.

O Ministro das Relações Exteriores também defendeu a reforma e ampliação do Conselho de Segurança para aumentar a participação dos países em desenvolvimento, incluindo-os como membros permanentes. “Não podemos continuar com métodos de trabalho nos quais falta transparência e que permitem que os membros permanentes discutam questões por trás de portas fechadas que afetam toda a humanidade”, disse.

O Brasil, afirmou, tem procurado contribuir para a paz, citando o exemplo dos esforços do país para resolver as questões em torno de o programa nuclear iraniano.

O Irã afirma que seu programa nuclear é para fins pacíficos, mas outros países dizem que ele é impulsionado pelas ambições militares. O programa tem sido um assunto de preocupação internacional desde a descoberta, em 2003, que o país tinha escondido suas atividades nucleares por 18 anos, em violação de suas obrigações decorrentes do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

No começo do ano, Lula e o Primeiro-Ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, mediaram um acordo segundo o qual o Irã enviaria para fora do país o urânio de baixo enriquecimento em troca de urânio altamente enriquecido para usá-lo em pesquisas civis em sua capital, Teerã.

De acordo com Amorim, a chamada Declaração de Teerã “não esgota o assunto”: “Estamos convencidos de que, uma vez de volta à mesa de negociações, as partes vão encontrar maneiras de resolver outras questões”. Em seu discurso de hoje na Assembleia Geral da ONU Amorim também falou sobre direitos humanos, a situação no Oriente Médio e mudanças climáticas.

O Brasil também discursou durante a Cúpula das Nações Unidas sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que ocorreu antes do debate anual da Assembleia Geral, de 20 a 22 de setembro, também em Nova York. O vídeo com a declaração da Ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil, Marcia Helen Carvalho Lopes, se encontra abaixo.