Na África e no Iêmen, 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome

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Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu nesta terça-feira (11) apoio internacional para evitar que cerca de 20 milhões de pessoas em vários países na África e no Iêmen morram de fome. Segundo dados da ONU, desse contingente, 4,2 milhões são refugiados e o número de deslocados está aumentando em consequência da fome e da insegurança. As pessoas mais vulneráveis são crianças e mulheres que amamentam.

Uma criança de dois anos de idade é alimentada com um chá de nim em Rumbek, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR / Rocco Nuri

Uma criança de dois anos de idade é alimentada com um chá de nim em Rumbek, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR / Rocco Nuri

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu nesta terça-feira (11) apoio internacional para evitar que cerca de 20 milhões de pessoas em vários países na África e no Iêmen morram de fome.

Segundo dados da ONU, desse contingente, 4,2 milhões são refugiados e o número de deslocados está aumentando em consequência da fome e da insegurança. As pessoas mais vulneráveis são crianças e mulheres que amamentam.

“Uma crise humanitária evitável na região, possivelmente pior que a de 2011, está se tornando uma inevitabilidade”, disse o porta-voz da agência, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra.

“Uma repetição da tragédia de 2011, que custou a vida de 260 mil pessoas, deve ser evitada a todo custo”, acrescentou.

No sudeste da Etiópia, por exemplo, as taxas de desnutrição aguda entre refugiados recém-chegados, com idades entre seis meses e cinco anos, estão na faixa de 50% e 79%. Da mesma forma, no Sudão do Sul, as crianças representam a maioria dos refugiados.

Segundo o ACNUR, quase todos os migrantes, incluindo crianças, dependem de assistência alimentar, como as fornecidas pelo Programa Mundial de Alimento da ONU (PMA). No entanto, com a falta de fundos, os suprimentos alimentares estão sendo cortados.

A pior situação é dos refugiados em Uganda, onde a comida foi cortada em até 75%. Etiópia, Tanzânia e Ruanda (entre 20 e 50%) e Djibuti (12%) também estão testemunhando um quadro crítico.

“Muitos refugiados estão sem acesso total a meios de subsistência, à agricultura ou à produção de alimentos, e suas capacidades de agir e de ajudar a si próprio estão reduzidas”, observou Edwards.

Quase 5 milhões devem deixar a escola

A grave insegurança alimentar também está afetando muitos estudantes, como os do Quênia. Cerca de 175 mil alunos em áreas de seca no país deixaram de frequentar a escola e quase 600 unidades de ensino fecharam na Etiópia.

Nas próximas semanas e meses, cerca de 5 milhões de crianças podem interromper os estudos nessas regiões.

O cenário humanitário ficou ainda mais complicado por uma série de desafios, incluindo novos deslocamentos, dificuldades econômicas, colheitas precárias e conflitos.

Na Somália, das cerca de meio milhão de pessoas deslocadas desde novembro, 278 mil foram deslocadas no primeiro trimestre deste ano, e o país continua vendo uma situação complexa de saídas e retornos, principalmente do Iêmen.

No Sudão do Sul, a escalada dos conflitos, a insegurança, a falta de acesso à ajuda e uma economia em colapso deixaram 100 mil pessoas em insegurança alimentar e mais um milhão agora à beira da fome.

A situação no Iêmen também continua piorando. Considerada a maior crise humanitária do mundo, as necessidades alimentares enfrentadas por iemenitas estão sendo citadas como o principal fator de deslocamento em três quartos de todos os lugares do país devastado pela guerra.

Esforços da ONU aumentaram, mas ainda faltam recursos

Em resposta à crescente crise, o ACNUR e seus parceiros têm aumentado seus esforços.

No entanto, com as operações no Sudão Sul, Somália e Iêmen financiadas apenas entre 3% e 11%, os desafios são imensos.

“É urgentemente necessário que os défices sejam resolvidos o quanto antes”, ressaltou o porta-voz do ACNUR.


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