Mundo precisa intensificar combate a atividades mercenárias na África, diz Guterres

O Conselho de Segurança das Nações Unidas abordou na segunda-feira (4) o tema das atividades de mercenários nos países da África, classificando-as como fonte de desestabilização do continente, prejudicando a paz e a segurança global e enfraquecendo as capacidades de Estados de protegerem seus habitantes.

“Da antiguidade à era medieval e aos dias atuais, aqueles que lutam por recompensas financeiras ou outras recompensas materiais têm sido uma quase constante nos campos de batalha”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho, destacando que a natureza sombria de atividades mercenárias evoluiu ao longo dos anos.

“Hoje eles estão explorando e se alimentando de outros males, como crime organizado transnacional, terrorismo e extremismo violento”, disse durante a reunião do Conselho, convocada pela Guiné Equatorial, que está na presidência do órgão este mês.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante reunião do Conselho de Segurança sobre atividades mercenárias na África. Foto: ONU

Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante reunião do Conselho de Segurança sobre atividades mercenárias na África. Foto: ONU

O Conselho de Segurança das Nações Unidas abordou na segunda-feira (4) o tema das atividades de mercenários nos países da África, classificando-as como fonte de desestabilização do continente, prejudicando a paz e a segurança global e enfraquecendo as capacidades de Estados de protegerem seus habitantes.

“Da antiguidade à era medieval e aos dias atuais, aqueles que lutam por recompensas financeiras ou outras recompensas materiais têm sido uma quase constante nos campos de batalha”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Conselho, destacando que a natureza sombria de atividades mercenárias evoluiu ao longo dos anos.

“Hoje eles estão explorando e se alimentando de outros males, como crime organizado transnacional, terrorismo e extremismo violento”, disse durante a reunião do Conselho, convocada pela Guiné Equatorial, que está na presidência do órgão este mês.

A resposta exige “trabalho em todo o espectro”, afirmou Guterres, “da prevenção à perseguição e mitigação dos impactos das atividades mercenárias à resposta às causas que deram força a elas”.

Ele citou atividades mercenárias em Sahel, Costa do Marfim, República Centro-Africana, Camarões e Guiné Equatorial, e enfatizou ações específicas necessárias para a resistência, incluindo fortalecimento de regimes e panoramas legais.

Guterres prometeu que o escritório regional da ONU para a África Central e o Centro Regional da ONU para Paz e Desarmamento na África irão continuar auxiliando no avanço da agenda “Silenciando as armas até 2020”, da União Africana.

Ele destacou a importância da cooperação, através de comissões fronteiriças mistas, mecanismos de monitoramento de segurança fronteiriça e compartilhamento de inteligência entre forças nacionais de defesa, destacando ser “vital” a parceria estratégia entre ONU, União Africana, Comunidade Econômica de Estados da África Central e países da região.

Ele também disse ser vital a criação de oportunidades para jovens, de forma a reduzir “o chamado de mercenários e a ameaça de radicalização” – destacando que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) podem ajudar nesse âmbito.

Ele concluiu com a promessa da ONU de apoio contínuo no “combate às atividades mercenárias”.

Presidente da Comissão da União Africana pede impulso em apoio internacional

Via teleconferência de Addis Ababa, Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, relembrou que desde a década de 1960, a história do continente tem sido “pontuada pelo envolvimento de mercenários em atividades de desestabilização, incluindo golpes, intervenções em conflitos armados e tentativas de controle de recursos naturais” – colocando em perigo o desenvolvimento harmônico de Estados africanos.

Embora esforços tenham sido feitos ao longo dos anos para combater atividades mercenárias, elas ainda persistem. “É claro que temos que fortalecer instrumentos internacionais, à medida que se relacionam com este fenômeno”, afirmou.

Além disso, Faki Mahamat disse que “não pode destacar o suficiente” a necessidade de desarmamento, desmobilização e reintegração em países emergentes de conflitos. Ele concluiu pedindo “apoio internacional intensificado”.

Por sua vez, o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, afirmou que após mais de 50 anos de independência, a maior parte dos países africanos ainda não conhece paz ou desenvolvimento socioeconômico, “apesar do grande potencial econômico que possuem em recursos naturais”.

“A África permanece sendo o continente menos desenvolvido”, disse, chamando mercenários de “uma das possíveis causas deste atraso”

Falando em nome do presidente de Ruanda, Paul Kigami, o ministro das Relações Exteriores, Richard Sezibera, também destacou a história dos mercenários na África, dizendo que eles “apresentam uma grave ameaça à independência, soberania, integridade territorial de Estados-membros”.

Ruanda também enfrenta o problema. “Hoje, mercenários não estão só envolvidos em combates ativos, nós agora vemos um aumento dos ataques cibernéticos e de espionagem industrial realizados por grupos mercenários no conforto de suas próprias casas”, disse.

Conforme esses grupos continuam evoluindo e inovando, ele disse: “não devemos ficar parados em nossa resposta”, mas, em vez disso, atualizar instrumentos legais existentes para alcançar os desafios que se apresentam.


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