Mundo observa carnificina na Síria, apesar das tentativas do governo de esconder violência

Alta Comissária para Direitos Humanos pede “investigação internacional, transparente, independente e imediata sobre a violência” a qual o povo sírio tem sido submetido.

Manifestantes em Hama

A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, advertiu na terça-feira (02/08) as autoridades sírias que o mundo está testemunhando a grave violência perpetrada contra o povo e pediu que parem o derramamento de sangue. Para ela, são alarmantes os relatos de que pelo menos 145 pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas desde sexta-feira.

Pelo menos 120 indivíduos morreram em Hama por meio do uso de veículos blindados, bombardeios e metralhadoras pesadas. Vários outros foram mortos em Deir Ez Zur, nos subúrbios de Damasco e em outras cidades do país. O número exato de vítimas pode ser consideravelmente maior.

“O governo vem tentando manter a cegueira do mundo diante da situação alarmante no país, recusando o acesso a jornalistas estrangeiros, grupos independentes de direitos humanos e missão de investigação do Conselho de Direitos Humanos”, afirmou Pillay.

“Mas eles não estão tendo sucesso. O mundo está assistindo e a comunidade internacional está seriamente preocupada. Sou solidária aos manifestantes pacíficos que estão exigindo o fim imediato da persistente violação de seus direitos humanos. Também solidarizo-me com as famílias de todas as vítimas que perderam suas vidas desde o começo da repressão, e condeno fortemente a violência que este Governo está usando contra seu próprio povo”, declarou a Alta Comissária.

“Eu novamente peço ao Governo que permita a entrada no país da missão de investigação para avaliar a situação em primeira mão”, acrescentou.

Segundo informações recebidas pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), além dos assassinatos, houve dezenas de detenções arbitrárias em todo o país, incluindo de defensores dos direitos humanos, cujos direitos à liberdade de expressão e de reunião já haviam sido violentamente suprimidos.

“Já passou da hora de trabalharmos pela responsabilização dos autores de violações dos direitos humanos na Síria nos últimos meses”, avaliou Pillay. “Há necessidade de uma investigação internacional, transparente, independente e imediata sobre a violência, os assassinatos, o uso excessivo da força, as detenções arbitrárias, os maus-tratos e a tortura aos quais o povo sírio tem sido submetido.”