Mundo está sendo ‘inundado’ por lixo plástico, diz secretário-geral da ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O mundo deve se unir para “vencer a poluição por plástico”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrando que as partículas de microplástico hoje presentes no oceano “superam as estrelas de nossa galáxia”.

“Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais”, afirmou. “Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas acabam nos oceanos”.

Moradores de Watamu, no Quênia, trabalham coletando plástico nas praias. Foto: ONU Meio Ambiente/Cyril Villemain

Moradores de Watamu, no Quênia, trabalham coletando plástico nas praias. Foto: ONU Meio Ambiente/Cyril Villemain

O mundo deve se unir para “vencer a poluição por plástico”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrando que as partículas de microplástico hoje presentes no oceano “superam as estrelas de nossa galáxia”.

Em sua mensagem para 5 de junho, Guterres disse que um planeta saudável é essencial para um futuro próspero e pacífico, explicando que: “todos nós temos um papel a desempenhar na proteção de nossa única casa”.

“Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais”, afirmou. “Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas acabam nos oceanos”.

Apontando a surpreendente comparação entre as estrelas no cosmos e os plásticos no oceano, o secretário-geral da ONU ressaltou que “das ilhas remotas ao Ártico, nenhum lugar está intocado”.

Se as tendências atuais continuarem, em 2050 nossos oceanos terão mais plástico do que peixes, disse ele.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, Guterres pediu que todos interrompam o uso de plásticos descartáveis, como garrafas. “Recuse o que você não pode reutilizar”, declarou.

“Juntos, podemos traçar um caminho para um mundo mais limpo e mais verde”, concluiu o secretário-geral da ONU.

Desde a sua primeira comemoração, em 1974, o Dia Mundial do Meio Ambiente ajudou a aumentar a conscientização e gerar impulso político em torno de preocupações ambientais globais, como o esgotamento do ozônio, a desertificação e o aquecimento global.

A ONU Meio Ambiente lançou na segunda-feira (4) o REN21, ou “Relatório de Status Global Renewables 2018“, que mostra um quadro positivo do setor de energia renovável, caracterizado por queda de custos, aumento de investimento, instalação recorde e modelos de negócio inovadores que estão gerando mudanças rápidas.

A Rede de Políticas de Energia Renovável para o Século 21, ou REN21 — apoiada pela ONU Meio Ambiente — é uma rede global de políticas de energia renovável que visa facilitar troca de conhecimento, desenvolvimento de políticas e ação conjunta para uma rápida transição global para energia renovável.

Após anos de apoio político ativo — impulsionado por avanços tecnológicos, crescimento rápido e reduções drásticas de custos em energia solar e eólica — a eletricidade renovável é agora mais barata do que a geração de energia nuclear e fóssil recém-instalada em muitas partes do mundo.

Mas nem todas as notícias são boas. Há um progresso desigual entre os setores e entre as diferentes regiões geográficas e uma “desconexão fundamental” entre os compromissos e a ação real na prática.

O setor de energia por si só não fornecerá as reduções de emissões exigidas pelo Acordo de Paris para o Clima ou as aspirações do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 (ODS 7) de garantir acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos, segundo o relatório.

Os setores de aquecimento, resfriamento e transporte, que juntos respondem por cerca de 80% da demanda mundial total de energia, também estão atrasados. Simplificando, a transição global de energia renovável está progredindo muito lentamente.

PNUD

Para o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, proteger o meio ambiente e deixar um planeta mais próspero para futuras gerações está nas mãos de todos – literalmente.

“Você deve imaginar que esses objetivos são imensos ou muito complicados para você resolver sozinho, mas, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, você pode fazer um compromisso pessoal bem simples para combater a poluição gerada por plásticos, ao deixar de utilizar plásticos descartáveis”, disse ele, em comunicado para a data.

“Talvez você não saiba o que são plásticos descartáveis, mas você provavelmente os utilizou recentemente quando tomou água em garrafa ou refrigerante, usou um canudo, carregou verduras em um saquinho de supermercado ou mexeu seu café.”

O administrador do PNUD lembrou que o equivalente a uma imensa ilha de plástico, de três vezes o tamanho da França, flutua neste instante entre a Califórnia e o Havaí, e uma sacola de plástico foi encontrada recentemente em uma profundidade de 36 mil pés na Fossa das Marianas (local mais profundo dos oceanos, situado no Pacífico).

“E está ficando cada vez pior: 83% da nossa água da torneira contém partículas de plástico, e seus químicos tóxicos podem ser encontrados em nossa corrente sanguínea.”

“Com 1 milhão de garrafas d’água, feitas de plástico, compradas a cada minuto e até 5 trilhões de sacolas de plástico descartáveis usadas por ano, a poluição por plástico está ameaçando nosso ecossistema, nossa biodiversidade e nossa saúde, em um ritmo e escala nunca vistos”, declarou.

“Junte-se ao movimento global e faça um compromisso pessoal para ‘recusar o que você não pode reutilizar’. A Terra não é um planeta descartável. Suas ações podem fazer a diferença”, concluiu.

UNESCO

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, também pediu o fim da poluição por plástico no Dia Mundial do Meio Ambiente.

“Durante mais de 40 anos, o Dia Mundial do Meio Ambiente tem nos lembrado sobre a nossa responsabilidade quanto à preservação do nosso planeta”, declarou em mensagem para a data.

Ela lembrou que, por iniciativa da Índia, que irá sediar o principal evento do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, o tema da data é “Acabe com a poluição por plástico”, uma preocupação ambiental, social e econômica.

“Hoje, aproximadamente um terço das embalagens de plástico que nós usamos escapa dos sistemas de coleta e termina por poluir o nosso meio ambiente. Essa poluição afeta em especial os nossos oceanos”, declarou.

“Transportados pelas correntes marítimas, bilhões de fragmentos de plástico se juntam nos oceanos. Ao longo das últimas quatro décadas, a quantidade desse tipo de resíduo aumentou em 100 vezes no Oceano Pacífico, a ponto de formar o que se chama agora de ‘sétimo continente’ de plástico, uma vasta massa de lixo à deriva no Pacífico Norte, com uma área que corresponde a um terço dos Estados Unidos.”

“Enquanto a poluição plástica dos oceanos é primordialmente uma ameaça aos ecossistemas marinhos, ela também oferece perigo à saúde humana, uma vez que os resíduos plásticos entram na cadeia alimentar. Em anos recentes, esses riscos têm atraído cada vez mais a atenção de formuladores de políticas, do setor privado, de ONGs ambientais, dos meios de comunicação e da comunidade científica”, disse.

Azoulay lembrou que a UNESCO está totalmente comprometida com a reflexão e a ação em apoio ao desenvolvimento sustentável para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 por meio de seus programas de ciência, educação e cultura.

Neste esforço, a poluição plástica representa um desafio importante. Por exemplo, a Reserva da Biosfera da Ilha do Príncipe (São Tomé e Príncipe) e o Programa O Homem e a Biosfera (Man and the Biosphere – MAB) lançaram uma campanha de conscientização e mobilização intitulada “Plástico não: um pequeno gesto que está em nossas mãos”.

“Trata-se sobretudo de transformar comportamentos e atitudes. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vamos compartilhar nossas ideias e soluções sobre #AcabeComAPoluição. Juntos, nós podemos mudar nossos hábitos e acabar com esse problema.”

OIM

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) também se uniu ao coro que pede o fim da poluição por plásticos e da degradação ambiental no mundo todo.

“O plástico descartável se tornou um dos maiores desafios para nosso meio ambiente natural: até 13 milhões de toneladas de plástico acabam em nossos oceanos a cada ano, ameaçando a vida marinha, os ecossistemas e nossa saúde, já que o produto contamina nossa água”, disse a organização em comunicado.

A OIM reconhece que um meio ambiente saudável está intrinsecamente vinculado ao bem-estar e à resiliência dos migrantes e de suas comunidades de acolhida.

“Se investirmos hoje na proteção de nosso meio ambiente, poderemos reduzir os riscos de deslocamento, que poderão ser originados pela mudança climática e pela degradação ambiental, para as gerações futuras”, disse Dina Ionesco, responsável pela divisão de migração, meio ambiente e mudança climática da OIM.


Mais notícias de:

Comente

comentários