Mulheres trabalham cada vez mais, mas continuam ganhando menos que os homens, afirma Banco Mundial

Uma trabalhadora limpa a Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. Foto: Banco Mundial/Mariana Kaipper Ceratti

Novo estudo do Banco Mundial, ‘Trabalhando para acabar com a pobreza na América Latina e no Caribe: trabalhadores, empregos e salários’, examinou dados de 17 países e aponta que milhões de latino-americanos vivem com menos de 90% do salário mínimo. Nas duas maiores economias da região, Brasil e México, as mulheres ainda são as mais prejudicadas neste número. Só em 2013 quase 14% das mexicanas ganharam menos de 90% do mínimo, contra 9,1% dos homens. No Brasil as mulheres representam 9,6% nesta faixa salarial, ante 8,9% dos profissionais do sexo masculino.

Entretanto, as mulheres participam cada vez mais da força de trabalho latino-americana, aumentando a renda familiar e contribuindo para a redução da pobreza. O número de trabalhadoras de 25 a 65 anos cresceu 4,5% de 2003 a 2013. Isso faz delas o único grupo a aumentar sua presença tanto nos empregos de baixa qualificação quanto nos que exigem alto nível educacional, diz o relatório.

Os novos dados se somam a uma série de análises, também feitas por especialistas do Banco Mundial, explicando por que as latino-americanas ganham menos. As respostas abrangem desde a discriminação ainda cometida pelas empresas à falta de mulheres em setores como engenharia e ciências, que pagam melhor.

A pesquisa destaca que o grande motor para a redução da pobreza na América Latina foi o da melhoria dos salários, e não o da qualidade dos empregos. Isso vale principalmente para os trabalhadores que só fizeram a escola primária: os valores das mulheres cresceram quase 4% entre 2003 e 2013, enquanto os dos homens subiram 4,5%.

Segundo o estudo, o crescimento econômico gerado pelas commodities impulsionou setores como agricultura e serviços. Também fez aumentar o percentual de profissionais pouco qualificados contratados por grandes empresas, com acesso a diversos benefícios trabalhistas: só no Brasil, em 2013, chegou a 27,6%. A melhoria nos indicadores de educação e qualidade do emprego, no entanto, responde por apenas uma pequena parte do aumento dos salários. E, agora que o boom das commodities chegou ao fim, eles se preocupam com o destino dos trabalhadores.