Mulheres precisam ser foco de políticas de proteção contra desastres, diz escritório da ONU

Mulheres e meninas frequentemente sofrem mais com impactos de mudanças climáticas, disseram especialistas das Nações Unidas. Mais mulheres morreram no tsunami do Oceano Índico em 2004, porque muitas delas não sabiam nadar e algumas tiveram seus movimentos limitados pelas roupas compridas que vestiam, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

Em Yogyakarta, Indonésia, mulheres em uma reunião comunitária debatem a reconstrução da sua aldeia, na sequência do tsunami e do terremoto de 2006. Foto: Banco Mundial / Nugroho Nurdikiawan Sunjoyo

Em Yogyakarta, Indonésia, mulheres em uma reunião comunitária debatem a reconstrução da sua aldeia, na sequência do tsunami e do terremoto de 2006. Foto: Banco Mundial / Nugroho Nurdikiawan Sunjoyo

As mulheres precisam estar no centro das políticas de redução de riscos de desastres, dado que elas frequentemente sofrem mais com os impactos das mudanças climáticas, como enchentes e tempestades, disseram especialistas das Nações Unidas responsáveis por monitorar a implementar uma convenção com o objetivo de acabar com a discriminação contra mulheres.

Em sessão especial sobre questões de gênero nas políticas de redução de risco de desastres e mudanças climáticas, realizada em Genebra no fim de fevereiro pelo Comitê para Eliminação da Discriminação contra Mulheres (CEDAW), o chefe do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), Robert Glasser, disse ser necessário abordar as desigualdades de gênero na tomada de decisões e no acesso a medidas de proteção, educação e saúde.

“As mulheres são mais afetadas por desastres, sendo necessárias informações mais precisas e dados desagregados sobre os impactos dos desastres para conseguirmos adotar medidas de correção”, disse Glasser.

As desigualdades de gênero podem restringir o acesso de mulheres a decisões que governam suas vidas, assim como seu acesso a recursos, tornando-as mais vulneráveis a desastres, de acordo com o UNISDR.

A secretária-geral assistente da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Elena Manaenkova, enfatizou que mais mulheres morreram no tsunami do Oceano Índico em 2004, porque muitas delas não sabiam nadar e algumas tiveram seus movimentos limitados pelas roupas compridas que vestiam.

Em Bangladesh, das 140 mil pessoas que morreram nas enchentes provocadas pelo ciclone Gorky, de 1991, as mulheres respondiam por uma proporção de 14 para 1, parcialmente devido a seu acesso insuficiente às informações e alertas preventivos, acrescentou Manaenkova.

“De 60% a 70% das mulheres nos países em desenvolvimento são ativas em agricultura. No entanto, em um projeto indiano no qual as informações climáticas eram divulgadas pelo celular, descobriu-se que apenas 11% dos usuários eram mulheres. Também descobrimos que existem 300 milhões de mulheres sem celular no mundo”, disse Manaenkova.