Mulheres indígenas realizam plenária em Brasília para debater garantia de direitos

Mulheres indígenas que participam do XIII Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, reunirão-se na noite desta terça-feira (25) para uma plenária sobre direitos e igualdade de gênero. Entre os temas previstos no debate, estão o acesso à saúde, participação política, violência e empoderamento feminino. Encontro faz parte da programação oficial do ATL.

Sônia Guajajara, da APIB, participa do início das atividades do Acampamento Terra Livre. Foto: Mobilização Nacional Indígena

Sônia Guajajara, da APIB, participa do início das atividades do Acampamento Terra Livre. Foto: Mobilização Nacional Indígena

Mulheres indígenas que participam do XIII Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, reunirão-se na noite desta terça-feira (25) para uma plenária sobre direitos e igualdade de gênero. Entre os temas previstos no debate, estão o acesso à saúde, participação política, violência e empoderamento feminino.

O ATL teve início na segunda-feira (24) e reunirá 1,5 mil lideranças indígenas para uma semana de mobilização e discussões sobre os problemas enfrentados por comunidades de todo o Brasil. Na sexta-feira (28), estão previstas reuniões de representantes das mulheres e da juventude indígena.

“Essa é a segunda vez que estamos na programação oficial”, comenta Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a respeito da plenária desta noite. “Com o avanço das mulheres em todos os segmentos sociais, nós não poderíamos deixar de fora esse espaço no ATL. Nesse momento, estamos discutindo a pauta da Conferência Nacional de Saúde, que acontecerá em agosto”, acrescentou.

No ano passado, pela primeira vez, mulheres indígenas do Brasil construíram coletivamente uma pauta nacional comum, com contribuições de 104 povos dos 305 existentes no país. A pauta foi apresentada no XII ATL e registrada como Carta das Mulheres Indígenas.

No Brasil, a ONU Mulheres desenvolve o projeto Voz das Mulheres Indígenas. Apoiada pela Embaixada da Noruega, a iniciativa incentiva a articulação social deste segmento da população brasileira, bem como estimula o engajamento político de representantes dos povos originários. Mulheres de mais de cem etnias participam do programa da agencia das Nações Unidas.

Em 2016, integrantes do Voz tiveram espaço na programação oficial do XII ATL e organizaram uma plenária específica para discutir e validar a Pauta Nacional das Mulheres Indígenas. A diretora da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe, Luiza Carvalho, e a representante do organismo no Brasil, Nadine Gasman, participaram do encontro.

“A ONU Mulheres está comprometida em apoiar as mulheres indígenas para que sua presença em fóruns nacionais e internacionais seja efetiva e que reivindiquem melhorias substantivas nas suas vidas e nas suas comunidades. Esperamos fortalecer o nosso diálogo para que possamos acompanhá-las nesta caminhada pelo empoderamento”, afirmou Luiza no evento.

Acampamento Terra Livre em 2017

Em 2017, o mote do ATL é “Unificar as lutas em defesa do Brasil indígena: pela garantia dos direitos originários de nossos povos”. O encontro abordará desafios como a paralisação das demarcações indígenas, o enfraquecimento das instituições e políticas públicas indigenistas e as proposições legislativas que tramitam no Congresso e são consideradas anti-indígenas.

Também serão debatidos a tese do “Marco Temporal” — pela qual só devem ser consideradas Terras Indígenas as áreas que estavam de posse de comunidades indígenas na data de promulgação da Constituição (5/10/1988) — e os empreendimentos que têm impactos negativos nos territórios indígenas.

O ATL 2017 é promovido pela APIB e tem o apoio de organizações indígenas, da sociedade civil e outros movimentos sociais parceiros. Sabia mais clicando aqui.


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