Mulheres buscam coletivos, terreiros e Defensoria para se proteger da violência de gênero no Rio

Coletivos, terreiros e Defensoria Pública. Estas são as redes destacadas nos depoimentos de três mulheres que ocupam espaços estratégicos no Rio de Janeiro para acolhimento e apoio às vítimas da violência de gênero.

Os relatos foram registrados pela campanha do secretário-geral da ONU “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, com produção da ONU Mulheres e do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio) e apoio do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 e da ONG Criola. Assista aos vídeos.

Mãe Nilce apoia mulheres na Baixada Fluminense a romper o ciclo da violência de gênero. Foto: ONU Mulheres.

Mãe Nilce apoia mulheres na Baixada Fluminense a romper o ciclo da violência de gênero. Foto: ONU Mulheres.

Coletivos, terreiros e Defensoria Pública. Estas são as redes destacadas nos depoimentos de três mulheres que ocupam espaços estratégicos no Rio de Janeiro para acolhimento e apoio às vítimas da violência de gênero.

Os relatos foram registrados pela campanha do secretário-geral da ONU “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, com produção da ONU Mulheres e do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio) e apoio do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 e da ONG Criola.

De acordo com a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, as redes são fundamentais para tirar as mulheres em situação de violência do isolamento e do silêncio.

“Saber que não estão sozinhas e poder contar com alguém próximo são sinais importantes para o encorajamento de mulheres que estão sendo alvo da violência de gênero. Pode ser o passo decisivo para que elas quebrem o ciclo da violência e procurem serviços públicos de atenção a mulheres em situação de violência”, afirmou.

Sob o lema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres”, a campanha da ONU para os 16 Dias de Ativismo se baseou nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sobretudo o de número 5, relacionado à igualdade de gênero, e destacou o protagonismo das mulheres para o fim da violência e a mobilização de grupos vulneráveis.

No Brasil, os vídeos contam o trabalho da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, comunidade de terreiro e coletivo. Foram postados nas redes sociais no Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro.

Serviços essenciais

A defensora pública Arlanza Rebello considera que os serviços especializados para mulheres em situação de violência devem responder à demanda por meio do enfrentamento ao sexismo institucional. “A importância de uma instituição ter um olhar sobre as questões de gênero e específicas da mulher faz com que a gente possa utilizar a legislação de uma maneira mais ampla, mais criativa e mais específica. Por meio do discurso de proteção à mulher, busca-se sempre a punição do agressor”, declarou.

Conforme a Lei Maria da Penha, a assistência judiciária deve ser garantida por defensoria pública ou assistência judiciária gratuita com atendimento específico e humanizado. À frente do Núcleo Especial de Direito da Mulher e de Vítimas de Violência da Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro, Arlanza assinala o que aprendeu com as mulheres. “Quando lidamos com uma mulher em situação de violência, nós estamos lidando com a vida. São os grupos de mulheres que vão dar a essa mulher a dimensão da violência em que ela está inserida para que ela possa buscar outros caminhos”, acrescentou.

Na Baixada Fluminense, Mãe Nilce de Oxum, do Ilê Omolu Oxum, conta que o “terreiro é procurado por mulheres com várias demandas”. “E a violência doméstica é uma delas. Nós somos de uma tradição matriarcal. A maioria são mulheres e negras. Nós fazemos oficinas para que essas mulheres consigam renda”.

Incidência política

Mãe Lúcia, fundadora do Grupo de Mulheres Yepondá, contou histórias do grupo – da sua formação heterogênea à intervenção em espaços políticos. “Temos mulheres evangélicas, católicas, umbandistas, sem religião. Lésbicas. Brancas, negras. Mas por tudo que as mulheres negras sofrem que é bem maior do que as mulheres brancas sofrem, o grupo, aos poucos, foi se tornando um grupo de mulheres negras. Elas estão resistindo e mudando a sua história”, disse.

Sobre a violência contra as mulheres, Mãe Lúcia reforça o envolvimento do grupo. “O nosso objetivo é combater a intolerância. É combater, principalmente, a violência contra a mulher. Quando nós conseguimos nos defender, fazer um elo forte, de verdade, a gente freia alguém”, completa.